Entre promessas de resolução e rompantes de indignação vindos de agentes políticos, a fila da Argentina na fronteira continua interminável, envolta em seu anacronismo. A forma de controle para entrar e sair do país vizinho, via Puerto Iguazú, obsta a integração dos fronteiriços e constitui um desserviço às atividades de turismo e comércio.
O melhor dos mundos, como aventou uma candidata argentina durante a campanha eleitoral, há pouco tempo, seria recuar o posto aduaneiro para o interior do município. A portadora da ideia, porém, não voltou ao assunto. A capital portenha exige rigor e vigilância, sob os ecos dos atentados sofridos nos anos 1990, acrescidos de doses de malversação política do episódio.
O H2FOZ mostrou a revolta de um comerciante, que descreveu o entrave como um “desastre”, defendendo uma circulação mais fluida e controles lógicos no acesso à Ponte Internacional Tancredo Neves, como forma de impulsionar o desenvolvimento de Puerto Iguazú. E convidou a comunidade a unir-se em torno da pauta, sem importar os matizes ideológicos.
Servidores do setor migratório recorreram à Direção Nacional de Migrações para cobrar o aumento do número de funcionários responsáveis pela fiscalização na fronteira. A quantidade atual, argumentam, seria insuficiente para a demanda, um dos fatores que convergem para a demora dos procedimentos.
Leia também: Superlotação do Municipal: alerta que cobra ação – H2FOZ – Notícias de Foz do Iguaçu
Integrante do mesmo partido do presidente Javier Milei, parlamentar a província de Misiones bateu à porta do Ministério do Interior de seu país. “Tocamos especialmente no tema de Puerto Iguazú e das longas demoras que existem, atualmente, para cruzar a fronteira”, descreveu o encontro, o deputado Diego Hartfield.
A travessia para a Argentina em carro próprio, veículos de turismo ou outros meios de transporte de passageiros exige perseverança. E não têm melhor sorte os caminhoneiros que transportam cargas internacionais. O sindicato da categoria em Foz do Iguaçu cobra melhores condições. A reivindicação foi levada ao Consulado da Argentina, em Brasília (DF), mas persistem, sem ações efetivas para resolvê-las, as filas, o abandono, a insegurança e a falta de estrutura.
Puerto Iguazú vê no turismo e no comércio integrados com as cidades vizinhas do Brasil e do Paraguai a fórmula para o desenvolvimento – novos shoppings no formato duty free acabam de receber autorização para funcionar. O comerciante Mario D’Arpino foi ao ponto: “Temos um mercado enorme do outro lado da fronteira e estamos perdendo empregos e oportunidades comerciais.”


