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Superlotação do Hospital Municipal e emendas parlamentares

Em 12 anos, entre 2014 e 2026, a cidade recebeu só R$ 73,3 milhões em emendas parlamentares federais, o que dá R$ 250 por morador.

3 min de leitura
Superlotação do Hospital Municipal e emendas parlamentares
Hospital Municipal de Foz do Iguaçu voltou a enfrentar, nos últimos dias, quadro de superlotação. Ilustração: Claudio Siqueira, com uso de I.A.

A proposta de orçamento para a saúde pública entra em discussão. O parlamentar examina a realidade e as necessidades da estrutura de atendimento com base em dados, levantamentos e subsídios recolhidos com especialistas e instituições representativas do setor. Promove audiências públicas para ampliar a análise e dar voz a profissionais, população e sociedade civil. Embasado e legitimado pela elaboração técnica, participativa e horizontal, sugere avanços. Aprovados os recursos e os projetos, acompanha a execução com o controle social.

Esse é um roteiro que segue alheio — e, mesmo, ignorado — pela maioria dos legisladores, apesar de saúde pública ser termo exaustivamente repetido em discursos e promessas. Os empossados nos cargos eletivos têm preferência pelo ato solene da entrega do cheque, em quantia total ou parcial, para custear ação pontual, como viabilizar determinada compra ou reforma. Solenidades geram publicidade, cifras vão para relatórios, e o parlamentar se mostra realizador, mas o problema da população não é resolvido, porque exige respostas estruturais.

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E, quando se trata de Foz do Iguaçu, sempre há o “além disso”. Assim, em 12 anos, entre 2014 e 2026, a cidade recebeu só R$ 73,3 milhões em emendas parlamentares federais, o que dá R$ 250 por morador em mais de uma década, ou R$ 20 por ano para cada habitante, revelou o H2FOZ em reportagem especial exclusiva. A saúde, segmento que mais recebeu da fatia minguada de recursos, obteve míseros R$ 22,18 milhões pagos nesse extenso período.

Dinheiro para ações específicas ou fatiadas, somado a recursos prometidos por deputados, mas que jamais chegaram, contribui para formar ou agudizar o quadro atual, que vem de longe, perpassando gestões municipais. As falhas na gestão da saúde permanecem castigando o iguaçuense com a fila da dor nas unidades de assistência, a demora para consultas e exames e o inacesso, em tempo adequado, ao tratamento em especialidades.

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Exemplo prático é a superlotação do Hospital Municipal Padre Germano Lauck, mais uma vez registrada na última semana, com uma taxa de ocupação de 127,98%, com 276 pacientes em atendimento, dos quais 56 no pronto-socorro, aferida no dia 22 de julho. Essa repetição leva à normalização do problema, o que não deve ser aceito, pois ela significa sofrimento, com pessoas espalhadas pelos corredores, e risco de morte.

O Conselho Municipal de Saúde exige medidas estruturantes, não paliativas. O sindicato dos profissionais da saúde aponta falta de pessoal e equipes extenuadas. A Comissão de Saúde da Câmara Municipal cobra da prefeitura um plano de ação concreto para enfrentar as filas, com metas verificáveis. A superlotação do Hospital Municipal, 100% público de Foz do Iguaçu, e os limites do instrumento denominado emendas parlamentares sugerem ser faces de uma crise que põe frente a frente representatividade política e eficiência na gestão.

Leia também:
Reportagem especial do H2FOZ sobre as emendas parlamentares para Foz do Iguaçu

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    Este texto expressa a opinião do H2FOZ a respeito do assunto.

    1 comentário em “Superlotação do Hospital Municipal e emendas parlamentares”

    1. Carlos

      O mais triste é saber que o presidente da República gasta mais do que isso em viagens que não ajudam em nada para o país. Ou melhor”presidentes e congresistas” Eles gastam milhões em coisas sem fundamento enquanto o povo sofre com as migalhas à eles destinadas…

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