A Ponte Internacional da Integração Brasil–Paraguai não fugiu à regra na qual as grandes obras em Foz do Iguaçu são enredadas em imbróglios em que a espera pela utilização vira novela. Geralmente, são demoradas para iniciar, lentas para terminar ou emperram no meio. Ou, ainda, não é incomum, travam nas três etapas.
A ligação entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco levou três décadas para começar a ser construída, depois de muita promessa. Já em obras, faltaram as estruturas complementares. Concluída, permaneceu inativa, porque os acessos e aduanas não foram terminados no mesmo tempo. O batismo foi feito por deputado que não é da fronteira. Quedas de braço para as inaugurações.
Vencidas as provações? Não ainda. A liberação da via pelas autoridades federais dos dois países ocorre a conta-gotas, em que a estrutura permanece subutilizada. Eis que a alta burocracia binacional anuncia que o processo começa a destravar, ampliando o uso, inclusive para carro. Mas há custo para moradores fronteiriços desejosos de passar de automóvel pela Ponte da Integração — certos nomes guardam nível de comicidade que beira o trágico.
A Comissão Mista Brasil-Paraguai vai liberar a travessia de carros de passeio pela via a partir do próximo dia 14, em meio período. A passagem, porém, exigirá de motoristas e passageiros o Documento de Trânsito Vicinal Fronteiriço (DTVF), custando cerca de R$ 200 para brasileiros o confeccionarem no país vizinho, enquanto os estrangeiros precisarão pagar à Polícia Federal do Brasil taxa fixada em menos de um terço desse valor.
Reportagem do H2FOZ explicou o instrumento. Desconhecido de grande parcela da população, o DTVF é uma espécie de identidade que faz parte dos acordos do Mercado Comum do Sul (Mercosul), sendo que, na fronteira trinacional, é destinado a quem mora em Foz, Ciudad del Este, Presidente Franco e Hernandarias.
Moradores de Foz solicitam o documento às Migrações do Paraguai, e os residentes no país vizinho o requerem no Brasil. A carteira de vizinhos foi proposta para estreitar laços e ampliar a integração, facilitando a vida de quem vive, trabalha e estuda nesse território comum.
Os trâmites para emissão e o custo, no entanto, parecem dar razão a quem diz ser mais fácil abrir o Estreito de Ormuz, em cenário de guerra, do que liberar 100% a Ponte da Integração. O autor da observação, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, poderia dar como colaboração prática para destravar a fronteira a redução da taxa da carteira vicinal praticada em seu país.

