Representatividade política nas esferas estadual e federal não pode ser analisada somente pela quantidade, mas pela qualidade. É o segundo indicador que realmente reflete os resultados para o cidadão e para a coletividade, com projetos, intervenções, ideias e posicionamentos, além da captação de recursos para a cidade e a região.
Foz do Iguaçu está mergulhada em seu dilema, que não é de hoje. Registra um deputado federal e outro estadual, pai e filho, com domicílio eleitoral no município, mas frequentemente questionados pela identidade efetiva com a Terra das Cataratas. Nas Eleições 2026, cerca de 30 postulantes pedirão o voto do morador.
A dispersão de votos se torna um obstáculo a mais para os candidatos iguaçuenses que irão correr para chegar à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa. Os pretendentes são muitos, o número de votos, parco. Em reportagem exclusiva, o H2FOZ evidenciou quantos são os escrutínios que ficam dos 206 mil eleitores aptos.
Desse total, 140 mil votos são depositados nas urnas em candidatos a deputado, enquanto impressionantes 65 mil votos são inefetivos, entre abstenções, brancos e nulos. E mais: 50 mil moradores de Foz do Iguaçu preferem postulantes de fora, de outras cidades.
Sobram somente perto de 90 mil votos de eleitores iguaçuenses para serem disputados entre os chamados candidatos da cidade. O que há é uma fuga do eleitorado de Foz do Iguaçu das urnas e dos nomes que se apresentam para o jogo, muitos repetidos, outros que pretendem perpetuar-se no poder, e uns tantos sem qualquer serviço prestado à coletividade.

Afinal, eleição é um momento em que o eleitor é uma espécie de juiz, podendo fazer comparações e decidir. Quem exerce cargo público apresentou resultados satisfatórios que o habilitem a permanecer? Os postulantes que pretendem retornar a instâncias eletivas deixam legados? A todos que buscam o voto: como está a ficha pública, quais são as suas contradições, possuem experiência na vida pública, compreendem a responsabilidade da função postulada? Cada enunciado, uma sentença. O eleitor julga.
Quando o peso da representatividade política — ou da falta dela — bate à porta de Foz do Iguaçu, o que é cristalino e certo é que a culpa, o fardo, não é do eleitor. Os assim designados candidatos da cidade precisam provar que merecem o voto do iguaçuense, convencê-lo a sair de casa para as urnas e escolher entre as novas e velhas caras, todas que prometem que o futuro será bem melhor do que o passado e o presente.

