O período eleitoral é tempo de escolhas individuais, direito do cidadão, que causam impactos à coletividade. A campanha “desesconde” determinados agentes públicos, sumidos há anos da vivência com a população e que emergem à cena. Isso faz tornar fáceis decisões complexas e, de promessa em promessa, anuncia um futuro de redenção.
Participar do processo democrático pelo voto é interferir na realidade, não envolve mágica. O eleitor, pois, está vacinado quanto a práticas de políticos que aparecem só a cada quatro anos, que não cumpriram promessas quando eleitos, que vivem de cargo em cargo bancados pelo erário ou que são superlativos em prometer.
Foz do Iguaçu vê o seu potencial socioeconômico carecendo superar problemas históricos que os sucessivos governos e representantes não solucionam. Crise de leitos e fila para exames, especialistas e cirurgias na saúde; ausência de um programa estruturante de mobilidade urbana, prevendo inclusive transporte público de qualidade; infraestrutura carente; falta de moradia popular; e avanço da insegurança são alguns contrastes.
Cabe ao eleitor o papel soberano de julgar por quem pretende ser governado, no Paraná e no Brasil, e representado na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional. Para esse exercício, pelas consequências a todos, é necessário ser crítico, criterioso e mergulhar em análises abrangentes dos candidatos.
Escolhas aleatórias, a pedido do amigo ou do parente, costumam ser prejudiciais, e, pior ainda, quando o voto ocorre por um benefício imediato. O candidato engraçado ou que fala bem na televisão não é requisito. Aquele que muda de cargo, para tentar voltar à função que já ocupou, troca de partido e de ideias ao bel-prazer, já entrega evidências de que pode querer enganar o eleitor.
É necessário analisar a história de quem pede o voto, a sua biografia, sua experiência profissional e na vida pública. Propostas e planos de governo devem ser coerentes com a função pretendida, explicadas como fazer, com metas e prazos. O discurso em canais e redes ajuda a entender a coerência e a transparência das ideias. E quem faz do processo eleitoral um cavalo de batalha pode ter o único objetivo de esconder-se atrás de falsas polêmicas e polarizações de ocasião pela ausência de propostas e entregas à comunidade.
Já os cerca de 40 candidatos de Foz do Iguaçu a deputado estadual e federal precisam ser assertivos para, primeiro, fazer com que quase 70 mil iguaçuenses que deixaram de votar ou invalidaram o escrutínio no pleito de 2022 confiem em suas propostas. E resgatem parte dos 40 mil votos (estadual) e 69 mil (federal) que vão para concorrentes de outras cidades. Necessário é, portanto, em 45 dias de corrida eleitoral, colocar-se à altura das exigências e expectativas do eleitor, que vive a cidade e conhece de fato seus problemas.

