Míseros R$ 248 por morador é quanto Foz do Iguaçu recebeu em emendas parlamentares federais ao longo de 12 anos. Em reportagem que une jornalismo de dados e investigação (leia aqui), o H2FOZ coloca sob a lupa os recursos transferidos à cidade e os valores que jamais chegaram, suscitando a necessidade do debate sobre representatividade política em Brasília (DF) e sua efetividade.
Vermelho (PL), deputado federal que possui domicílio eleitoral na cidade e busca protagonismo na política local, destinou a Foz do Iguaçu apenas 5,5% do total das verbas que empenhou. Também com base eleitoral iguaçuense, o deputado licenciado Fernando Giacobo (PSD) é exemplo didático: destinou R$ 4,49 milhões para a saúde municipal em 2016 e, dez anos depois, mais de 65% do valor prometido ainda não chegou.
A cidade capta menos recursos do que municípios de porte semelhante, figurando na incômoda 28.ª colocação em um ranking de 40. O baixo volume de emendas parlamentares federais é somente um sintoma de que falta voz firme a Foz do Iguaçu no Congresso Nacional, espaço de tomada de decisões, mas também de articulação e acumulação de força para defender pautas e demandas endereçadas aos órgãos do governo federal.
Medidas que interferem na dinâmica da cidade são tomadas no Planalto Central sem ouvir todos os agentes locais, a exemplo do funcionamento de grandes obras. Orçamento para a saúde que não contempla a abrangência e a complexidade da fronteira. Hospital universitário que patina. São exemplos que compõem um placar desfavorável, somando-se às minguadas emendas parlamentares.

A sub-representação pode ser comprovada pelos poucos recursos e pelos problemas que se repetem. O eleitor, nesse contexto, sente a falta de resultados e cobra dos agentes políticos, como revela o escrutínio para os cargos eletivos: o morador de Foz do Iguaçu está trocando os candidatos da cidade pelos chamados “de fora” (leia aqui).
Representatividade não se mede só pelo voto, é certo, e sim pela capacidade de defender e unir forças convergentes em prol dos interesses permanentes da cidade. O prognóstico para o quadro político é que o município necessita recuperar a capacidade de influência em Brasília, como já teve.
Cidade estratégica que é, não pode aceitar permanecer relegada à periferia política do poder central, perdendo oportunidades, esvaziando potencialidades e retardando o próprio desenvolvimento.

