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Política

Nomes de fora

Eleitor de Foz está ‘abandonando’ candidatos a deputado da cidade

Levantamento aponta redução do apoio a concorrentes locais para deputado estadual e federal, em favor dos “nomes de fora”.

4 min de leitura
Eleitor de Foz está ‘abandonando’ candidatos a deputado da cidade
Foz do Iguaçu conta com mais de 200 mil eleitores - foto: Marcos Labanca/H2FOZ

Os eleitores de Foz do Iguaçu vêm “abandonando”, ao longo das últimas duas décadas, a votação em candidatos da própria cidade para deputado estadual e federal. A conclusão é do analista político e estatístico Luiz Carlos Kossar, com base em dados das seis últimas eleições gerais.

Segundo o levantamento, o total de votos nominais para deputado estadual e federal permaneceu relativamente estável no período, mas a distribuição desses votos mudou significativamente. Os candidatos de Foz perderam espaço, enquanto aumentou a preferência do eleitorado por postulantes de outras regiões, os chamados “nomes de fora”.

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Na avaliação do analista, a estabilidade do número de votos nominais ao longo de seis eleições também indica que o município não registrou crescimento expressivo do eleitorado capaz de alterar esse cenário.

Entre os fatores que ajudam a explicar a mudança de comportamento, ele destaca a pulverização dos partidos políticos, que ampliou o número de candidaturas sem forte vínculo local, e o avanço das tecnologias digitais, que facilitou a entrada de candidatos de outras regiões no debate político e nas campanhas eleitorais em Foz do Iguaçu.

O levantamento reúne os resultados das eleições de 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022 para os cargos de deputado estadual e deputado federal, utilizando dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para Kossar, os dados revelam uma tendência objetiva de enfraquecimento da representatividade política da cidade. “Eles mostram que o eleitor de Foz está abandonando os candidatos a deputado estadual e federal da cidade”, resume.

Deputado estadual

Gráfico elaborado por Luiz Carlos Kossar. Fonte: TSE

Deputado federal

Gráfico elaborado por Luiz Carlos Kossar. Fonte: TSE

Com base nos indicadores de votação, o analista apresenta quatro conclusões:

  • o eleitor de Foz do Iguaçu está abandonando os candidatos locais a deputado estadual e federal, os chamados “da cidade”;
  • em vinte anos, os votos nominais nos seis últimos pleitos permaneceram estáveis, indicando êxodo de eleitores;
  • a pulverização de siglas partidárias possibilitou o surgimento de candidatos que servem apenas como cabos eleitorais dos partidos;
  • a evolução das tecnologias digitais facilitou e continuará a facilitar a penetração de inúmeros candidatos de outras localidades.

Vale lembrar que, no último pleito, os partidos políticos lançaram 40 candidaturas de Foz do Iguaçu na disputa por vagas em Curitiba e Brasília. Três candidatos com domicílio eleitoral na cidade foram eleitos: Matheus Vermelho (PP), deputado estadual, e Fernando Giacobo e Nelsi Cogueto Vermelho (à época filiados ao PL), deputados federais. O primeiro está licenciado do mandato para ocupar uma secretaria no Governo do Paraná.

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Lembra em quem votou?

Pelo manual de atribuições dos cargos, em linhas gerais, deputados estaduais e federais elaboram, discutem e votam leis, aprovam ou rejeitam projetos, deliberam sobre o orçamento e participam de comissões de investigação. Outra função, uma das mais relevantes, é fiscalizar o Poder Executivo. Enquanto os deputados estaduais acompanham os atos do governador e das secretarias estaduais, os deputados federais fiscalizam o presidente da República, os ministérios e as empresas públicas.

Nas cidades, é comum o entendimento de que a representação parlamentar está diretamente vinculada à transferência de recursos e à execução de obras e ações governamentais nas localidades consideradas bases eleitorais. Essa compreensão, contudo, suscita um debate mais amplo, que envolve pelo menos dois aspectos. Um deles é o “fatiamento” de recursos em detrimento de ações estruturantes, que pode ocorrer; o outro diz respeito à capacidade de o parlamentar manter independência em relação ao governante para exercer, de fato, sua função fiscalizadora.

Além disso, deputados estaduais e federais também refletem a conformação ideológica da sociedade ou se identificam com determinadas causas. Em outras palavras, não raro o eleitor escolhe seu candidato mais pelo alinhamento de ideias — centro, direita ou esquerda — do que pelo potencial de destinar recursos para a sua cidade. Também pesa a atuação em segmentos específicos, como educação, segurança pública, meio ambiente, bem-estar animal ou na defesa de categorias profissionais.

Apesar da importância da representatividade, pesquisa recente do Datafolha mostra que seis em cada dez brasileiros não se lembram em quem votaram para deputado estadual, deputado federal e senador nas eleições de 2022. Segundo o levantamento, 67% dos entrevistados não recordam o voto para deputado federal, enquanto 66% disseram o mesmo em relação aos deputados estaduais e aos senadores.

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    Paulo Bogler

    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.

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