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Editorial

Opinião do H2FOZ

Inclusão social e segurança derrubam índice de qualidade de vida em Foz

Leia a opinião do H2FOZ sobre a posição do município no Índice Progresso Social Brasil.

3 min de leitura
Inclusão social e segurança derrubam índice de qualidade de vida em Foz
Foz do Iguaçu desanda em inclusão- Ilustração: Claudio Siqueira, com uso de I.A.

Foz do Iguaçu aparece na 845.ª colocação nacional no Índice Progresso Social Brasil (IPS 2026) e, entre as cidades do Paraná, no 69.º lugar, atrás de municípios equivalentes, como Maringá, Londrina e Cascavel. Inclusão social e segurança derrubam o desempenho no levantamento que mede a qualidade de vida.

Os dados são de reportagem exclusiva do H2FOZ, que apresenta uma radiografia completa da performance da cidade fronteiriça em níveis estadual nacional, com recortes regional e de localidades na mesma faixa populacional. O conteúdo situa os melhores e piores resultados, elencando dez componentes para cada lado, a partir do ranking anual elaborado pelo Instituto Imazon.

Foz do Iguaçu desanda em inclusão. No item famílias em situação de rua, fica na 5.472.ª posição nacional, com 144,67 núcleos familiares para cada cem mil habitantes, muito acima da média de 18,55 no Paraná e de 15,43 no país. No critério inclusão, outra rabeira: 5.492.ª colocação, pesando a falta de paridade racial na Câmara e a violência contra pessoas negas e mulheres.

Em segurança, o IPS 2026 traduz e transforma em estatística o que a população iguaçuense sente no dia a dia. A taxa de homicídios é o dobro das médias estadual e nacional, com 30 assassinados a cada grupo de cem mil habitantes. São 53,21 mortes de jovens por cem mil moradores, também o dobro da média do parâmetro aferido no Paraná.

Os recortes “social” e “segurança” ganham destaques porque remetem à vivência no município, se mais solidária e em equilíbrio ou desigual. Recobra o debate em torno do jargão “cidade boa para o turista é a cidade boa para o morador”, que confere a agentes públicos verniz de preocupação com a coletividade, palavrório geralmente desacompanhado de medidas efetivas para atingir esse patamar.

Mais do que isso, não é o primeiro levantamento a realçar a deficiência de ações governamentais para a população de rua. Órgão de controle da qualidade da aplicação dos recursos e execução de políticas públicas, o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) apontou falhas e cobrou melhorias da prefeitura tanto no atendimento quanto ao planejamento do município.

Além de dados disponíveis em cadastros nacionais, Foz do Iguaçu conta com censo próprio. Resta pendente, a partir da leitura adequada dos números, efetivar medidas garantidoras de direitos, da assistência social à saúde, da moradia à convivência social.

O temário complexo, em que a busca de soluções deve dar voz a todos os segmentos envolvidos, especialmente a técnicos e aos sujeitos a quem se destinam as políticas públicas. A fórmula para dar errado é ceder à tentação e à pressão de discursos políticos que brotam de tribunas físicas e digitais todos os dias.

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    Alexandre Palmar

    Alexandre Palmar é jornalista e editor do H2FOZ. É um dos fundadores do portal, em 2003.

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