A indignação com que moradores de Ciudad del Este reagiram diante dos painéis ofensivos deve ser compartilhada por todos aqueles que compreendem e zelam pela relação entre Paraguai e Brasil. Respeito mútuo e colaboração marcam a história dos dois povos e países irmãos.
Na fronteira, são laços amarrados por parcerias binacionais, uma hidrelétrica e duas pontes internacionais, economias que se complementam e uma vida social que transpõe a geografia oficial. Há trânsito e interação na educação, cultura, saúde, turismo e trabalho.
O repúdio a esse fato específico propõe refletir sobre mecanismos capazes de neutralizar o impulso que, vira e mexe, acena para dividir paraguaios e brasileiros. O retrovisor da história comprova que as duas nações avançam mais quanto mais juntas trabalham.
A política eleitoral, com seus matizes ideológicos e torcidas, é pródiga em falsas bandeiras, a soprar o apito que libera enfrentamentos. Até a ida de brasileiros para se fixarem no país vizinho vira combustível a propagandas fora de propósito, suficientes para despertar nacionalismos e xenofobia.
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A fronteira é integrada, apesar de limitações derivadas, sobretudo, da inação governamental. Em 2025, dos 45.872 estudantes de medicina em território paraguaio, 35.273 eram brasileiros, o equivalente a 76,9%, conforme dados oficiais. Mais de 15 mil estudavam em Alto Paraná.
O comércio internacional entre os dois países é consistente. No ano passado, o Paraguai respondeu por 77,5% do movimento total de cargas liberadas no Porto Seco de Foz do Iguaçu, segundo a Receita Federal do Brasil. Esse fluxo representou a maior fatia do total de quase US$ 10 bilhões movimentados no recinto.
São números ilustrativos de relações de dimensões muito mais elevadas. Por isso, apuração célere pelas autoridades e responsabilização dos autores das mensagens nos dispositivos são medidas pedagógicas que podem desmotivar novos ataques que incitam à divisão.


