Naturalizamos a presença de pessoas em situação de rua em Foz

Inúmeros motivos levam as pessoas a viver na rua - Foto: Marcos Labanca

Pessoas que dormem nas calçadas, barracas ou barracos em canteiros de vias públicas, em espaços comerciais fechados, abandonados ou degradados. Pessoas que vivem em praças públicas.

É visível o aumento da população em situação de rua na cidade de Foz do Iguaçu. São pessoas que perderam o vínculo familiar, desempregados, vendedores ambulantes, cuidadores de carro ou indivíduos na mendicância, seres humanos vulneráveis, sempre mais estigmatizados e excluídos, sem teto e com dificuldades de acesso à higiene pessoal e alimentação.

É necessário reconhecer a complexidade da questão, que requer respostas nos campos da assistência social, saúde, habitação e emprego. Igualmente é necessário exigir do poder público municipal ações mais efetivas de atendimento a essa população.

Responder que a pandemia empurrou mais gente para a vida precária nas ruas parece ser uma constatação que tende mais a normalizar a situação do que a enfrentá-la.

Instalar placas pela cidade com a inscrição “não dê esmolas, dê oportunidades” tende a ser uma medida que pouco contribui para gerar as tais oportunidades.

Ainda no primeiro semestre de 2020, pesquisas nacionais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA, já alertavam que o novo coronavírus faz aumentar a vulnerabilidade de quem vive na rua, necessitando mais ações do poder público.

Indicava o IPEA a necessidade de ampliação de vagas para acolhimento, manutenção de equipes de abordagem social e de saúde, distribuição de alimentos e oferta de equipamentos públicos de higiene.

Quanto menos efetiva é a ação governamental no atendimento à população em situação de rua, dado o aumento perceptível desse contingente, mais parece natural e admissível à sociedade que pessoas possam permanecer vivendo em condições desumanas.

E naturalizar a situação das pessoas nas ruas é um indicativo maior de quem e como somos enquanto sociedade do que sobre a condição individual do morador de rua.

Solidariedade e políticas públicas eficientes são a receita para que não seja tomado como normal o aumento da população em situação de rua em Foz do Iguaçu.

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