Prefeitura dividiu comunidade, mas manteve crianças em aula sob arquibancada

Leia a opinião do portal sobre o atraso na construção da Escola Lucia Marlene Pena Nieradka.

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O improviso que bem pode ser chamado de descaso do poder público afeta a Escola Municipal Professora Lucia Marlene Pena Nieradka desde a sua fundação, no final dos anos 1990, quando iniciou as aulas às crianças em espaço emprestado por uma igreja. Pouco depois, passou a funcionar sob a arquibancada de um estádio de futebol, o Pedro Basso.

Há 22 anos, alunos, professores e direção enfrentam a precariedade de salas de aula em meio ao ruído das ruas, com infraestrutura minúscula para o trabalho técnico e pedagógico, sem dispor de área para laboratório e biblioteca, nem para socialização e educação física. Um terço desse tempo transcorre sob a gestão do atual prefeito, Chico Brasileiro (PSD).

Somente em 2019, o gestor incorporou ao planejamento a construção de uma sede adequada para a escola, pleito que a comunidade escolar fez aprovar durante orçamento participativo. O recurso foi previsto no ano seguinte. Em 2021, porém, moradores precisaram retornar com a reivindicação em uma nova edição da consulta popular.

O prefeito Chico Brasileiro argumentou, na época, que a pandemia impediu a realização da obra da Escola Lucia Marlene Pena Nieradka, mas que o dinheiro fora guardado. Só que a área destinada pela administração para a construção resultou em uma insólita divisão introjetada entre vizinhos da região do Jardim Social e Vila Yolanda.

Parte dos moradores defendia a nova escola em outra área, indicando alternativas na região, para não cortar árvores da Praça das Aroeiras, de quatro mil metros quadrados com araucárias, paus-brasis, ipês e aroeiras. O terreno foi doado por uma das primeiras residentes do bairro, em 1974, para ser praça. A divergência foi parar na Justiça.

Inoperante em sua obrigação de assegurar o direito do cidadão à escola e à praça, a prefeitura disseminou o embate, em vez de atuar como a instância mediadora em busca do consenso. Em dezembro do ano passado, obtida a licença ambiental, equipes da administração municipal levaram ao chão parte do bosque.

Alimentando o arrivismo, o secretário municipal de Obras, Cézar Furlan, afirmou que “se não fosse esse embaraço [questionamento do local], a escola já estaria com 30% das obras construídas”, em fala ao anunciar o começo das obras para janeiro de 2024. Agora, em abril, a empresa abandonou o serviço. “Embaraço” para a administração e prejuízo à comunidade, que está sem escola nova e sem praça.

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