Maior grupo indígena da Unila participa de curso na própria língua

Oriunda da Amazônia, etnia tikuna tem 54 estudantes matriculados na universidade federal situada em Foz do Iguaçu.

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Maior grupo indígena presente na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), com sede em Foz do Iguaçu, a etnia tikuna tem 54 estudantes matriculados e vive a expectativa de chegada de outros 60, provenientes do estado do Amazonas. Para facilitar a adaptação, um curso de informática na língua tikuna está sendo oferecido na instituição.

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A iniciativa, que conta com a participação de veteranos da comunidade, tem conteúdos como o ensino do uso do computador e de ferramentas do dia a dia, como o sistema interno e o e-mail institucional da universidade. Termos em inglês, comuns na internet, estão entre as barreiras comumente citadas pelos estudantes, além do próprio português.

“A dificuldade dos tikunas é a língua portuguesa, porque é a segunda língua nossa. A gente nasce falando nossa própria língua, português aprende só na escola”, explicou Rosileia da Silva Cruz, aluna de Serviço Social e monitora do curso. “A gente começou a pensar no curso de informática para falar pra eles na nossa língua, para facilitar.”

Narcisa do Carmo Coelho, moradora na comunidade Umariaçu 2, em Santana (AM), foi aprovada no ano passado para a graduação em Antropologia – Diversidade Cultural Latino-Americana na Unila. O curso de informática tem servido para resolver algumas coisas.

“Ser na língua é bom. Elas [as monitoras] explicando fica mais fácil de entender”, disse a estudante, em material distribuído pela Comunicação Social da Unila. “Lá na minha casa, a aula de informática não me interessou porque não pensei que poderia estudar numa universidade. Não importava. Agora é importante pra mim.”

Para muitos estudantes, o uso de celular é mais comum que o do computador. Foto: Assessoria/Unila
Para muitos estudantes (indígenas e não índígenas), usar o celular é mais comum que o computador. Foto: Assessoria/Unila

Artur Olímpio Miguel, também estudante de Antropologia, relatou dificuldade similar. “Eu nunca mexi num computador desse tipo [desktop]. Tenho dificuldade para escrever com o teclado”, disse ele, mais habituado ao celular. “O curso está ajudando muito. Não tive aulas antes. Quero sair sabendo mais. Ser na língua tikuna ajuda.”

O desejo de ajudar seus parentes – como os tikunas tratam os que são da mesma etnia – também move a monitora Jhine Flores Peres, aluna de Ciências Econômicas – Economia, Integração e Desenvolvimento desde 2019. O exemplo deixado pelos monitores que a auxiliaram despertou nela a motivação de ser a próxima.

“Se vierem pessoas como eu, tikunas, vão precisar de ajuda. Às vezes, não vão entender o idioma também. Senti como se estivesse na pele deles”, relatou Peres, comentando que muitos têm vergonha de se expor. “Eu não tinha vergonha. Eu falava: eu não sei. Eu preciso aprender. Estou aqui para aprender […] Tudo aquilo que eu aprendi eu preciso repassar para eles. Essa é minha meta.”

(Com informações da assessoria da Unila)

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