Crise na saúde: profissionais do Hospital Municipal seguem em estado de greve

Presidente do Sindicato da Saúde foi entrevistado no programa Marco Zero - Foto: Carlos Sossa/H2FOZ

Presidente do Sindicato da Saúde, Paulo Sérgio Ferreira explica a pauta e vê risco de uma “nova Santa Casa” por problemas de gestão; assista à entrevista.

Funcionários do Hospital Municipal Padre Germano Lauck seguem em estado de greve, devendo realizar assembleia nesta semana. A categoria havia aprovado, na última terça-feira, 15, paralisação na casa hospitalar e em outros serviços de saúde administrados pela Fundação Municipal de Saúde (FMS), que foi suspensa após o atendimento de uma das pautas.

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Em entrevista ao programa Marco Zero, o presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde, Paulo Sérgio Ferreira, afirmou que foi revogado o banco de horas, medida instituída pela direção do hospital e que fez culminar na decisão de greve. Mas outros problemas permanecem, segundo o dirigente sindical.

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Assista à entrevista:

Ele descreve as circunstâncias atuais como um “pedido de socorro” e afirma que “as tentativas de avisar [o poder público] não deram certo, então a categoria foi para a rua, fazendo uma assembleia na Avenida Paraná”. De acordo com “Paulinho da Saúde”, a entidade buscou apoio e acompanhamento da Câmara de Vereadores, o que não aconteceu.

Risco de “nova Santa Casa”

Os profissionais cobram melhores condições de trabalho e preocupam-se com a gestão da saúde pública, especialmente a do hospital. Conforme o presidente do Sindicato da Saúde, os problemas intensificaram-se a partir de setembro do ano passado, com erros na folha de pagamento, corte de adicional por insalubridade e falta de materiais para o atendimento.

Referindo-se ao que considera ser problemas de gestão, fez um paralelo com o fechamento da antiga Santa Casa, que atendia pacientes pelo SUS. “A população precisa entender que se não cobrar os vereadores, se não cobrar o prefeito, poderemos ter uma nova Santa Casa”, avaliou Paulo Sérgio Ferreira.

“Se não houver um choque de gestão isso pode acontecer”, prosseguiu. “O promotor deixa claro que ninguém sabe qual é o tamanho da dívida do hospital. O Conselho Curador se reúne para quê? O Conselho Fiscal – que até pouco tempo nem existia – se reúne para quê?”, indagou. Ele citou ainda a necessidade de reforma em uma parte do hospital e relembrou a fila de pacientes para cirurgias.

Principal equipamento sanitário de Foz do Iguaçu para o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Hospital Municipal é mantido com 100% de recursos públicos. É administrado pela Fundação de Saúde e tem como instância diretiva o Conselho Curador, presidido pela secretária Maria Rosa Jeronymo.

Ausência

Na entrevista, o representante do sindicato criticou a ausência da secretária Maria Rosa Jeronymo no debate sobre os problemas que o setor enfrenta. Disse que enquanto outras instâncias buscam o diálogo para superar as dificuldades, a exemplo da promotoria, a secretária permanece ausente.

Crise na saúde

Além do estado de greve adotado pelos trabalhadores da saúde, o promotor Luis Marcelo Mafra emitiu recomendação ao prefeito Chico Brasileiro (PSD) para intervenção no Hospital Municipal. O documento também pede o afastamento do diretor da unidade, Amon Mendes de Sousa.

O pedido do promotor deve-se ao risco de comprometimento do atendimento à população, falta de materiais e “déficit crescente” do equipamento. Em nota, a gestão municipal afirmou que o prefeito não tem “interferência” nas indicações e que estuda os questionamentos da promotoria.

Leia a nota da prefeitura na íntegra:

NOTA DA PREFEITURA DE FOZ DO IGUAÇU SOBRE RECOMENDAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO RELACIONADA À FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE

Em relação à recomendação administrativa enviada pelo Ministério Público do Estado do Paraná ao prefeito Chico Brasileiro, que indica a intervenção na Fundação Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu, e o afastamento do atual diretor presidente, a Prefeitura de Foz do Iguaçu esclarece: a designação da diretoria da Fundação Municipal de Saúde é feita pelo Conselho Curador da instituição, composto por representantes da administração municipal, Conselho Municipal de Saúde, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), Câmara Municipal e dos municípios da 9ª Regional de Saúde.

O prefeito não tem interferência nesta decisão, que é tomada com base em critérios de competência técnica. A prefeitura esclarece ainda que estão sendo verificadas todas as argumentações apontadas pelo Ministério Público para embasar a recomendação, a fim de prestar os devidos esclarecimentos ao órgão.

Mensalmente, a prefeitura repassa R$ 10 milhões à Fundação Municipal de Saúde para a prestação dos serviços hospitalares. Os salários de todos os trabalhadores estão em dia e a administração municipal está em diálogo com o Sindicato da Saúde para verificar a possibilidade do atendimento das reivindicações dos trabalhadores, a fim de garantir a continuidade da assistência à população sem nenhum transtorno.

Na tarde de quinta-feira (17), o prefeito Chico Brasileiro reuniu-se com representantes do sindicato a fim de mediar o diálogo entre a Fundação Municipal de Saúde e os trabalhadores para buscar alternativas satisfatórias que garantam respeito aos funcionários e atendimento digno à comunidade.

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Paulo Bogler - H2FOZ

Paulo Bogler é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.