Covid-19 e vacinação: situação no Paraná, Brasil e países vizinhos

Nenhum dos três vizinhos – Brasil, Paraguai e Argentina – conseguiu, com ou sem medidas restritivas, chegar a um estado de relativa despreocupação com a pandemia de covid-19. Ao contrário.

Embora mais baixo que o índice argentino (1.552 mortes a cada milhão) e pouco mais da metade do indicador brasileiro (2.040 a cada 1 milhão), o Paraguai superou a barreira de 1.000 mortes a cada 1 milhão de habitantes. O índice está agora em 1.068 óbitos por 1 milhão.

Ainda é uma situação bem mais tranquila que nos vizinhos, ainda mais que os três países estão com a vacinação em marcha-lenta. Só que o Paraguai só imunizou até agora, com as duas doses, 15.705 pessoas, o que equivale a 0,2% da população.

Mesmo a conta-gotas, a Argentina imunizou totalmente 1,75 milhão de argentinos (3,9% dos habitantes) e o Brasil vacinou com duas doses 16,71 milhões de pessoas (7,9% da população).

CASOS E MORTES: ESTABILIDADE NA ALTA

A pior situação dos três países é a do Brasil, mas vacinação está com ritmo semelhante ao argentino. Foto Tânia Rego/Agência Brasil

Os casos e mortes, no Brasil, estão em estabilidade, mas em patamares elevados. Nas 24 horas de quinta a sexta-feira, 14, morreram mais 2.211 brasileiros com covid-19. E houve mais 85.536 casos.

Com isso, o total desde o início da pandemia subiu para 15.519.525 casos, atrás apenas de Estados Unidos e Índia. Os óbitos somaram 432.628, perdendo, em números absolutos, só para os Estados Unidos.

Em relação às vacinas, o Ministério da Saúde distribuiu até agora, a estados e municípios, 83,8 milhões de doses. Deste total, foram aplicadas 51,1 milhões de doses, sendo 34,6 milhões da 1ª dose e 16,4 milhões da 2ª dose.

Na sexta-feira, 14, o Ministério da Saúde anunciou que fechou o contrato para a aquisição de mais 100 milhões de doses da vacina da farmacêutica Pfizer em parceria com a empresa BioNTech. Este novo lote se soma aos 100 milhões de doses que já haviam sido adquiridos pela pasta anteriormente.

Pelo contrato, as empresas responsáveis pelo imunizante deverão disponibilizar 200 milhões de doses até o fim deste ano. As 100 milhões de doses do contrato anunciado ontem deverão ser entregues entre setembro e novembro.

O primeiro lote de 100 milhões de doses começou a ser entregue no mês de abril, em uma remessa de 1 milhão de doses. Conforme o cronograma, está prevista a entrega de outros 2,5 milhões em maio e 12 milhões em junho.

Para o mês de maio, segundo o painel de vacinação contra a covid-19, estão previstos ainda 20,5 milhões de doses da Oxford/AstraZeneca produzida pela Fiocruz, 3,9 milhões da Oxford/AstraZeneca obtida pelo consórcio Covax Facility, 5 milhões da Coronavac e mais 842 mil da Pfizer pelo Covax Facility, totalizando 32,9 milhões de doses.

No Paraná

O ranking de estados com mais mortes pela covid-19 é liderado por São Paulo (103.493). Em seguida vêm Rio de Janeiro (47.699), Minas Gerais (37.005), Rio Grande do Sul (26.550) e Paraná (24.330).

Com 1.006.266 casos confirmados, o Paraná está em 4º lugar no ranking brasileiro.

Já em vacinação, o Paraná está em 2º lugar entre os que mais aplicaram a segunda dose da vacina, conforme levantamento do Consórcio de Veículos de Imprensa, divulgado pelo portal G1 e reproduzido pela Agência Estadual de Notícias.

9,4% dos paranaenses já completaram o esquema vacinal, índice inferior apenas ao de São Paulo, onde 10,71% da população recebeu as duas doses dos imunizantes.

Até a quarta-feira (12), o Paraná tinha aplicado um total de 3.132.592 de doses, das quais 1.083.000 eram da segunda aplicação. Além disso, até então, 2.049.592 paranaenses haviam recebido a primeira dose do imunizante, o que representa 17,8% da população do Estado.

No recorte de números absolutos de doses aplicadas, o Paraná ocupa a quinta posição entre as 27 unidades da Federação. No Brasil, 17,57% da população receberam pelo menos uma dose do imunizante.

8,81% dos brasileiros completaram o ciclo vacinal (o indicador do Consórcio de Veículos de Imprensa está mais atualizado que o número do Our World in Data, utilizado no início do texto para comparar a situação do Brasil com a dos vizinhos).

ARGENTINA PERTO DE 70 MIL ÓBITOS

Mesmo com todas as restrições, casos e óbitos, principalmente em Buenos Aires – cidade e província – são muito elevados. Foto Agência Télam

De quinta para sexta-feira, 14, a covid-19 matou mais 601 argentinos e houve o registro de 27.363 novos casos, segundo a Agência Télam.

O número de óbitos desde o início da pandemia subiu para 69.853, enquanto os contágios foram para 3.269.466, dos quais 2.913.144 se recuperaram e 286.469 são casos ativos.

O secretário de Saúde de Buenos Aires, Daniel Gollan, garantiu que “vem uma etapa de maior aceleração da vacinação” e se disse esperançoso de que até o final do ano os argentinos possam “voltar a uma vida muito mais normal”.

Chegou nesta sexta ao país mais um lote de 1 milhão de vacinas Sputnik V, da Rússia. E o governo argentino disse que já foram fechados contratos para obter mais de 60 milhões de doses, que permitirão imunizar 30 milhões de pessoas (a Argentina tem 45 milhões de habitantes).

PARAGUAI À MÍNGUA DE VACINAS

O Paraguai superou a barreira de 1.000 mortes a cada 1 milhão de habitantes. Foto Agência IP

No Paraguai, o número de óbitos, de quinta para sexta-feira, baixou para 55, talvez por ter sido feriado no país (aniversário da Independência). As vítimas fatais são agora 7.482 e o de casos foi para 309.638. Há 3.465 pacientes internados, dos quais 590 em unidades de terapia intensiva.

Sobre os mortos, cada vez aparece um número proporcionalmente mais elevado de pessoas jovens. Das 55 mortes registradas, duas pessoas tinham entre 20 e 39 anos; 14 entre 40 e 59 anos; e os demais eram idosos com 60 anos ou mais.

Também na sexta-feira, o Paraguai recebeu 40 mil doses da vacina russa Sputnik V. Por enquanto, a vacinação no país se limita ao pessoal de saúde e, mais recentemente, a pessoas de 70 anos ou mais.

Até agora, chegaram ao Paraguai 64 mil doses de Sputnik V, do total de 1 milhão adquiridas do fabricante russo. Somada a vacinas doadas, a quantidade total chega apenas a 367 mil doses.

Com isso, como lembra o jornal Última Hora, o Paraguai continua sendo um dos países com menor acesso a vacinas, embora o governo já tenha desembolsado US$ 6,85 milhões como primeira parcela para a compra de 4.279.800 doses.

Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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