Paraguai autoriza delivery na fronteira seca de Pedro Juan Caballero

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

O jornal paraguaio Última Hora noticia que o ministro da Defesa do Paraguai, Bernardino Soto Estigarribia, informou por telefone ao presidente do sindicato dos comerciantes de Pedro Juan Caballero, Victor Hugo Barreto, que o serviço de entregas (delivery) está liberado para passar ao Brasil, desde que se adotem protocolos sanitários. O ministro disse, ainda, que essa decisão “é uma conquista do povo fronteiriço”.

Disse mais o ministro: “Espero a conscientização de nosso povo. É uma grande oportunidade que temos de demonstrar nossa civilidade, que somos um povo abençoado, um povo obediente e vamos cumprir (protocolos), que não vai ser um caos e vai ser a melhor forma de demonstrar nossa grandeza”.

Para Estigarribia, o delivery fronteiriço é uma ferramenta na reativação econômica “que o governo necessita para seu povo”.

A decisão do governo paraguaio veio depois que comerciantes de Pedro Juan Caballero fecharam na segunda-feira, 20, a passagem para os caminhões de carga procedentes de Ponta Porã (Mato Grosso do Sul), como medida de protesto para exigir a reativação econômica da região.

O protesto foi, principalmente, contra o ingresso massivo de mercadorias, entre as quais bebidas alcoólicas, que entram semanalmente no país em mais de 30 caminhões. Essas mercadorias não se enquadrariam no regime de importações de alimentos em vigor no país.

Os manifestante pediram a circulação recíproca de mercadorias entre os dois países, o que não acontece, segundo eles, devido ao controle repressivo que os militares paraguaios fazem na Linha Internacional.

Em Pedro Juan Caballero, 6 mil pessoas perderam empregos no comércio de fronteira, desde o início da pandemia do novo coronavírus.

O portal Ponta Porã News lembra que as lojas da fronteira paraguaia voltaram a funcionar no dia 25 de maio, mas as vendas continuam baixas.

Em Pedro Juan Caballero, centenas de lojas já fecharam as portas. As duas maiores lojas de importados da cidade, o Shopping China e o Planet Outlet, não reabriram e os boatos na fronteira indicam fechamento em definitivo.

Brasil aceita negociar

O mesmo Última Hora noticiou que o governo brasileiro aceitou negociar com o Paraguai ações de consenso para a reativação econômica nas áreas de fronteira, principalmente em relação ao comércio, o mais afetado com as restrições impostas pela pandemia.

A resposta do governo brasileiro foi comunicada pelo embaixador do Brasil no Paraguai, Flávio Soares, ao chanceler do país vizinho, Antonio Rivas, em reunião que os dois tiveram em Assunção.

A posição do Brasil foi considerada positiva para dar início imediato às tratativas técnicas, visando encontrar uma solução que atenda aos planos paraguaios.

Ao longo desta semana, o grupo de trabalho constituído no Paraguai para analisar a questão das fronteiras manterá videoconferências com seus pares brasileiros.

O plano do Paraguai, enquanto as fronteiras não são reabertas, inclui o delivery fronteiriço, para compras feitas pela Internet por brasileiros, e também que no prédio da Aduana paraguaia, nas demais fronteiras, seja mantido um depósito dos produtos vendidos, para que os compradores possam buscar, sem precisar entrar no país vizinho.

Protestos em Ciudad del Este

Sem o comprador brasileiro, comércio de Ciudad del Este está praticamente às moscas. Foto La Clave

Enquanto isso, pequenos comerciantes e outras categorias afetadas pelo fechamento da fronteira, em Ciudad del Este, mantêm o fechamento parcial de acesso ao Paraguai dos caminhões brasileiros que atravessam a Ponte da Amizade.

Eles reclamam que não conseguem trazer mercadorias do Brasil, mas “os grandes contrabandistas continuam trabalhando”, conforme o jornal La Clave.

Os manifestantes exigem que o governo conceda uma ajuda aos trabalhadores das regiões de fronteira, além de créditos de baixo custo.

O presidente dos Taxistas Unidos del Este, Gustavo Espínola, questionou novamente por que a ponte permanece fechada para os pequenos trabalhadores, mas não para os empresários com grande poder aquisitivo, que transitam com mercadorias dois dois lados, sem serem incomodados.

Espínola admitiu que os trabalhadores recebem víveres da Secretaria de Emergência Nacional, mas não são suficientes para cobrir os gastos de qualquer família.

“Precisamos de créditos para começar a pagar a longo prazo. Só assim vamos cobrir as dívidas que temos. Muitos devem para trabalhar”, disse.

Os “paseros”, que se dedicam a trazer mercadorias do Brasil, especialmente alimentos, também estão mobilizados e se dizem muito atingidos pelas restrições impostas pela pandemia.

A manifestação

Os vários grupos de manifestantes mantêm desde a semana passada o fechamento parcial do acesso dos caminhões brasileiros ao Paraguai, pela Ponte da Amizade, e dizem que é por tempo indefinido, até que seus pedidos sejam atendidos pelo governo.

O fechamento é intermitente na pista de acesso ao país. Geralmente, a pista é liberada por uma hora para a passagem de caminhões, e depois é fechada novamente por uma hora.

Já os caminhões que vêm do Paraguai para o Brasil passam livremente, sem serem incomodados pelos manifestantes.

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