Defesa de Jorge Guaranho abandona sessão, e júri é adiado

Acusação vê manobra para protelar o julgamento do ex-policial penal pelo assassinato do ex-tesoureiro do PT Marcelo Arruda.

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Menos de uma hora depois de iniciado, o julgamento do ex-policial penal Jorge Guaranho, pelo assassinato do ex-tesoureiro do PT Marcelo Arruda, foi transferido para 2 de maio, em Foz do Iguaçu. A defesa abandonou o plenário.

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A decisão dos advogados ocorreu após o juiz Hugo Michelini negar pedido de adiamento da sessão. A assistência de acusação afirmou tratar-se de manobra para retardar o julgamento pelo crime de homicídio duplamente qualificado.

Ao pedir o adiamento, negado, a defesa de Jorge Guaranho reclamou que:

  • uma testemunha não foi localizada para o julgamento;
  • documentos foram anexados em prazo considerado insuficiente pelos advogados para análise;
  • o réu  foi intimado para o júri  do dia anterior ao início do julgamento;
  • falta de acesso a outro processo envolvendo o réu que tramita paralelamente na Justiça.

Todos os pedidos e reclamações foram indeferidos pelo magistrado, depois de ouvir os advogados da família de Marcelo Arruda e a promotoria. Para a assistência de acusação, a medida apenas retarda a sentença.

“A defesa cometeu o ato falho de, após juntar uma série de pedidos, pedir a liberdade provisória”, disse Daniel Godoy Junior. “Então, na verdade, eles não queriam julgar o processo. O objetivo era claramente a liberdade provisória do réu”, apontou.

Ao H2FOZ, em nota, a defesa de Jorge Guaranho, representada pelo advogado Samir Mattar Assad, disse que a “decisão de abandonar o júri foi uma medida extrema” para defender o cliente.

“O protocolo tardio de documentos essenciais, ocorrido em menos de 15 horas antes do início do julgamento, comprometeu gravemente a capacidade da defesa em exercer plenamente seus direitos legais”, disse. E completou alegando que enfrenar obstáculos no exercício da defesa.

Jorge Guaranho, que foi trazido para o julgamento em Foz do Iguaçu de um complexo penal na região de Curitiba, permanece preso.

Movitação

A acusação sustenta que houve violência política como agravante no assassinato do guarda municipal Marcelo Arruda, o que poderá resultar em pena de 12 a 30 anos, aponta. A defesa refuta a alegação, afirmando ter havido um desentendimento entre réu e vítima.

Histórico

Marcelo Arruda comemorava 50 anos com a família e amigos, em uma festa privada, com decoração alusiva ao Partido dos Trabalhadores, do qual era tesoureiro municipal, e ao então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Jorge Guaranho, que estava em outro clube perto, invadiu a confraternização.
Primeiro, conforme o Ministério Público, chegou acompanhado da esposa e do filho, um bebê.

Demonstrando estar armado, gritava “Bolsonaro” e “mito”. Após a discussão, deixou o local, retornando sozinho, depois, quando praticou os disparos contra Marcelo Arruda, que revidou já baleado e em legítima defesa, conforme a promotoria, atingindo Guaranho.

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