Patrimônio cultural: conheça quais bens podem ser tombados em Foz do Iguaçu

A centenária Foz do Iguaçu tem locais que dizem muito sobre nós mesmos. São prédios, monumentos e até vegetações carregadas de múltiplas memórias. Esses lugares estão na lista de possíveis futuros patrimônios culturais da cidade e foram definidos a partir da iniciativa da própria população.

CONHEÇA ABAIXO OS LUGARES COM PEDIDO DE TOMBAMENTO.

Membro do Conselho de Patrimônio Cultural (Cepac), José Luís Pereira informa que qualquer cidadão pode entrar com pedido de tombamento junto ao município. “Qualquer cidadão que ache que o bem tem valor histórico ou público pode pedir o tombamento”, explica.

A solicitação é encaminhada à Fundação Cultural e ao Cepac para análise. Atualmente, 11 bens estão com pedido de tombamento na cidade. O processo em fase mais adiantada, que se encontra no Cepac, é o do obelisco situado no Marco das Três Fronteiras. Os demais estão na etapa inicial.

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A partir do momento em que o pedido de tombamento é feito, só é possível mais fazer obra no local sempre de maneira orientada e acompanhada pelo conselho e ou pela comissão de fiscalização e manutenção, garantindo que a modificação não o descaracterize. A medida tem respaldo na Lei Municipal nº 4.470, que diz respeito à política de proteção do patrimônio cultural e histórico de Foz do Iguaçu.

Coordenadora do Patrimônio Histórico da Fundação Cultural, Vera Vieira conta que os processos estão sendo retomados agora porque ficaram parados na fase inicial da pandemia. No caso de imóveis privados, caberá ao município proceder à compra ou oferecer algum tipo de subsídio ao proprietário, a exemplo de desconto em impostos.

São considerados patrimônios culturais bens de natureza material e imaterial relacionados principalmente à identidade e à memória. Entre os exemplos estão formas de expressão, criações artísticas, científicas e tecnológicas; obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, artístico, arquitetônico, paisagístico, arqueológico, paleontológico, ecológico, científico, folclórico, etnográfico, turístico ou documental.

Veja abaixo a lista dos bens, fornecida pela prefeitura. Fotos: Marcos Labanca/H2FOZ

1. CASA DE HARRY SCHINKE/ANTIGA SEDE DA PAN

O farmacêutico e fotógrafo Harry Schinke mudou-se, por volta de 1925, para a casa térrea que já existia no local. Schinke foi amigo do botânico suíço Moisés Bertoni. Por volta de 1938-1940, foi construída a edificação de dois pavimentos junto ao alinhamento predial, abrigando os filhos e a loja de ferragens.

A edificação também abrigou o escritório da Pan Am Airlines por um curto período, voltando a ser uma loja de ferragens. A loja está aberta até hoje, entretanto a descendente e atual proprietária planeja vender as propriedades e se mudar. A casa fica na Rua Tiradentes, na região da Praça da Marinha.

2. COLÉGIO ESTADUAL BARTOLOMEU MITRE

Criado em 15 de novembro de 1927, o colégio passou a ser denominado Bartolomeu Mitre em 1944. Antes se chamava Grupo Escolar Doutor Caetano Munhoz da Rocha. As aulas tiveram início em 15 de janeiro de 1928. Uma das professoras era a pioneira Otília Schimmelpfeng. Até 1952, o colégio funcionava em um prédio onde hoje é a Receita Estadual. Mitre foi um general argentino que lutou na Guerra da Tríplice Aliança.

3. TEATRO BARRACÃO (Teatro Otília Schimmelpfeng)

O Teatro Barracão está localizado na Praça da Bíblia, na Avenida República Argentina, Jardim São Paulo. O imóvel foi construído no início da década de 1990, por iniciativa do Banestado, o extinto Banco do Estado do Paraná.
O projeto do Teatro Barracão foi replicado em outras cidades paranaenses, a exemplo de Maringá, Londrina e Cascavel. Entre 2004 e 2009, a estrutura permaneceu fechada. Até o início da pandemia, abrigava diversas atividades culturais durante toda a semana. Atualmente, uma companhia de teatro faz atividades no local.

4. GRESFI

O Gresfi marca o local do primeiro aeroporto de Foz do Iguaçu, projetado pelo arquiteto Angelo A Murgel, juntamente com as edificações do Parque Nacional do Iguaçu, e inaugurado em 1941. A construção do campo de aviação teve início em 1933, com as negociações para a aquisição de um terreno para uma linha do Correio Aéreo Militar que cobriria a região de Foz do Iguaçu e Guaíra.

Em 1º de abril de 1935 foi realizado o pouso inaugural, com um aparelho de treinamento biplano de dois lugares totalmente descobertos, que aterrissou após um voo saindo de Campo Grande (MS).
Em 1938, a Companhia Pan Am inaugurou uma linha internacional que fazia o trajeto Rio de Janeiro-Buenos Aires, uma vez por semana, com pouso em Foz do Iguaçu. A partir desses voos, a cidade passou a receber visitantes ilustres, entre eles Walt Disney, Henry Fonda e Grace Moore.

Em 1941, o então presidente da República Getúlio Vargas inaugurou o primeiro Aeroporto do Parque Nacional do Iguaçu, que se tornou por muito tempo o aeroporto de Foz do Iguaçu, até ser desativado em 1974. Após a desativação, o local foi transformado em clube social e recreativo, o Gresfi.

5. MARCO DAS TRÊS FRONTEIRAS

O obelisco, localizado no Porto Meira, foi inaugurado em 1903 e idealizado pelo marechal Cândido Rondon e Dionísio Cerqueira. No lado argentino, situa-se na margem do Rio Iguaçu; e no paraguaio, fica na margem direita do Rio Paraná.
Os três obeliscos, igualmente pintados com as cores nacionais de cada país, formam um triângulo que fixa o limite territorial e a soberania dos três países. Pelo Marco das Três Fronteiras do lado brasileiro passou a Coluna Prestes em meados da década de 1920.

6. ANTIGA CÂMARA DE VEREADORES

A antiga Câmara de Vereadores fica na Praça Getúlio Vargas, região central de Foz do Iguaçu. Foi inaugurada em 7 de setembro de 1972, durante a sexta legislatura municipal, que tinha como presidente Balduíno Wandscheer, além dos vereadores Álvaro de Albuquerque (vice-presidente), José Luiz dos Santos (primeiro-secretário) Celestino Rorato (segundo-secretário), Silvino Dal Bó, Evandro Stelle Teixeira, Octávio Rotilli, Omar de Oliveira e Percílio Silva Gusmão.

7. BOSQUE DOS MACACOS (Jardim Ipê)

O local é um fragmento de vegetação, possivelmente nativa, resultante de fatores antrópicos. Entre os anos de 1996 e 1997, a região cedeu espaço aos loteamentos Jardim Ipê I e II. Dois dos lotes que compõem o bosque foram doados ao município como reserva técnica. Em 2019, ambos foram declarados áreas verdes.

8. ESTÁTUA DO DOURADO

A estátua pode ser vista na Avenida República Argentina, em frente à empresa Dourado Caça & Pesca, de Américo Demarchi. Foi feita pelo artista Giovanni Vissoto, em 2001, a pedido da empresa, para compor uma estratégia de marketing.
Em 2018 passou por restauração. No mesmo ano, a prefeitura notificou a empresa para retirar a escultura do local, pelo fato de bloquear parcialmente a rampa de acessibilidade da esquina. No entanto, a população da região se identificou com a obra, que está no local há 18 anos, mobilizou-se e organizou um abaixo-assinado para deixá-la na avenida.

9. ESCOLA JORGE SCHIMMELPFENG

O imóvel foi construído e inaugurado em 1945, em uma área doada pelo ex-prefeito Jorge Schimmelpfeng. Após a inauguração, até meados da década de 1970, quando teve início a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, o local passou a abrigar o Clube da Criança, da Secretaria Municipal da Criança.
No começo dos anos 90, o prédio começou a ser usado pelo Centro Espírita Paz, Amor e Caridade (CEPAC), instituição fundada em 1922 por José Vicente Ferreira, soldado da Força Policial do Paraná. Lá começaram atendimento às mães socialmente carentes e evangelização infanto-juvenil. Atualmente o prédio está em desuso.

10. PRÉDIO DA FUNDAÇÃO CULTURAL DE FOZ DO IGUAÇU

Construído entre 1954 e 1955, durante o governo de Bento Munhoz da Rocha, o prédio era sede do antigo Fórum de Justiça de Foz do Iguaçu. Hoje, além da Fundação Cultural, o imóvel abriga a Biblioteca Municipal Elfrida Engel e a Biblioteca Especializada em Turismo Frederico Engel.

11. PREFEITURA DE FOZ/PALÁCIO DAS CATARATAS

O paço municipal foi construído em 1939 no governo do interventor Manoel Ribas. A prefeitura estava sob comando do capitão e delegado Melquíades do Valle.

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Denise Paro - H2FOZ

Denise Paro é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo da autora.

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