Biólogo de Foz do Iguaçu cria rede do bem para cultivar PANCs

O plantio começou no CMEI Celeste Sotto Maior, que hoje serve “arroz dos Smurfs” na merenda, feito com feijão-borboleta

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Altamente nutritivas, as plantas alimentícias não convencionais (PANCs) agora fazem parte da merenda do CMEI Celeste Sotto Maior, no Jardim Paraná, em Foz do Iguaçu. As PANCs chegaram lá pelas mãos do biólogo Wilson Fernandes, que começou o cultivo durante a pandemia, em março de 2020, no Parque das Aves.

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A ideia ganhou asas, e tempos depois as plantinhas foram parar na Horta Solidária do 14.º Batalhão da Polícia Militar (BPM) e no Colégio Agrícola. Neste ano, com a orientação do biólogo, o plantio teve início do CMEI, onde estudam 260 crianças de 2 a 5 anos de idade.   

A horta da escola está em fase de expansão e por enquanto parte da merenda é abastecida com PANCs do batalhão e do Colégio Agrícola. No CMEI, pelo menos duas vezes por semana a alimentação é feita com as plantas alimentícias não convencionais.

Com as PANCs, a merenda das crianças ganha um colorido diferente, além de nutrientes e bioativos. Uma das atrações do cardápio é o “arroz dos Smurfs”, feito com flores de feijão-borboleta e rico em antioxidantes. A cor fez os alunos batizarem o arroz inspirados nos personagens do desenho infantil que são azuis.

Crianças na merenda. Arroz Smurf é atração. Foto: Denise Paro

As plantas alimentícias não convencionais são bem versáteis. O feijão-borboleta, por exemplo, ainda é usado para preparar saladas, colorir sucos, fazer chás e gelatina.

Também fazem parte do menu suco de hibisco, farofa com capuchinha, geleia de chuchu com flores de kenaf, farofa com peixinho e capuchinha.

Diretora do CMEI, Maristela Serafin dos Santos diz que as receitas são testadas antes de irem para o cardápio das crianças. “Não adianta fazer receias novas se eles não aceitam.”  A escola tem 18 alunos autistas que apresentam seletividade no paladar e intolerâncias, por isso muitas PANCs são inseridas em molhos e temperos.

Alguns pais acompanham ativamente o plantio e recebem receitas para fazer em casa. Na entrada do CMEI há um painel com várias mudas de PANCs. Entre as plantas cultivadas lá há almeirão-roxo, capuchinha, taioba e peixinho da horta.

Painel com as Pancs do CMEI. Foto: Denise Paro

O plantio, que é orgânico, tem acompanhamento das crianças. Nesta semana, elas estiveram no 14.º Batalhão para conhecer a Horta Solidária.

Jardins funcionais

No CMEI, as PANCs ocupam espaços ociosos. Por serem resistentes e resilientes, não dispensam muitos cuidados contra doenças e insetos desfolhadores, explica Wilson.

As plantas que precisam de sol ficam em áreas abertas. Outras, em ambientes mais sombreados, a exemplo da taioba. Esse sistema de plantio permite criar jardins funcionais, também chamados de jardins alimentícios. Assim, a instituição fica mais atrativa visualmente e funcional, comenta o biólogo.

No CMEI, pancs ocupam espaços ociosos. Foto: Denise Paro

Cultivando saúde

O plantio das PANCs faz parte de um projeto chamado Cultivando Saúde, idealizado por Wilson no Parque das Aves. Lá, as plantas alimentícias não convencionais começaram a ser inseridas na alimentação dos colaboradores e visitantes.

O biólogo diz que a ideia é criar uma rede para cultivar as PANCs em Foz do Iguaçu para futuramente tornar o município uma “capital das PANCs no Brasil”.

Wilson quer tornar Foz a capital das Pancs.

“Estamos fazendo um projeto-piloto no CMEI para que seja multiplicado para outras instituições de ensino, entidades e empresas”, diz.

Acessíveis e de baixo custo, essas plantas têm valores nutricionais mais elevados que a grande maioria dos vegetais tradicionais encontrados na mesa dos brasileiros.

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