Com a Operação Entalhe, desencadeada nesta quinta-feira, 23, a Polícia Federal (PF) mira um esquema de extração de madeira de lei no Parque Nacional do Iguaçu, para fabricação e venda de móveis, entre outros crimes ambientais. A ação contou com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Polícia Militar do Paraná (PMPR).
A operação ocorre em um dos principais patrimônios ambientais do país. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão no município de Capitão Leônidas Marques, no Oeste. As diligências ocorreram em uma propriedade rural e em uma residência localizada na área urbana da cidade.
As equipes buscaram reunir provas relacionadas às atividades investigadas, reiterou a PF. O material apreendido será analisado para subsidiar o andamento do inquérito.
Madeira de lei
As investigações tiveram início a partir de informações repassadas pelo ICMBio à Polícia Federal. Os dados indicavam a ocorrência de extração ilegal de madeira no interior do parque. Segundo os levantamentos, as espécies retiradas seriam nativas e protegidas por lei. Após o corte, a madeira passaria por beneficiamento e seria comercializada de forma clandestina.
Além da exploração florestal irregular, a apuração também identificou indícios de crimes contra a fauna silvestre. Entre eles estão caça, captura e possível comercialização de animais retirados da unidade de conservação. Há suspeitas envolvendo espécies ameaçadas de extinção. A investigação também apura eventuais porte e posse irregulares de armas de fogo utilizadas nessas práticas.
Os alvos da operação ainda são investigados por danos diretos ao Parque Nacional do Iguaçu. As condutas configuram infrações com impacto significativo sobre o equilíbrio ambiental da região.
Sem licença
Outro eixo da investigação envolve a venda, o depósito e o transporte de madeira sem licença válida. A legislação exige autorização específica para exploração de recursos florestais, especialmente em áreas protegidas. Também é investigado o ingresso em unidade de conservação com instrumentos próprios para caça ou exploração ilegal. Essas práticas agravam a responsabilização dos envolvidos.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos diversos materiais considerados relevantes para a investigação. Entre os itens estão armas de fogo, munições, aparelhos celulares e documentos. As equipes localizaram móveis produzidos com madeira protegida por lei. Segundo a PF, não havia comprovação de origem legal desses produtos.
A operação segue em andamento, e novas diligências não estão descartadas. A Polícia Federal ressalta que outras infrações podem ser identificadas ao longo das investigações. O trabalho conjunto com órgãos ambientais deve continuar nas próximas fases. A repressão a crimes ambientais é considerada estratégica para a preservação do Parque Nacional do Iguaçu e de sua biodiversidade.


