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Meio Ambiente

Cuidado com a Terra

Evento coloca Foz do Iguaçu na vitrine da agroecologia brasileira

Caravanas percorrem territórios indígenas, quilombolas, assentamentos e cooperativas de toda região

4 min de leitura
Evento coloca Foz do Iguaçu na vitrine da agroecologia brasileira
As atividades fazem parte da Plenária Nacional da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). Foto: Denise Paro

Foz do Iguaçu e 11 municípios da Região Oeste se tornaram vitrine da agroecologia brasileira. Caravanas ecológicas percorrem sete rotas e chegam a 36 comunidades, incluindo territórios indígenas, quilombolas, assentamentos e cooperativas do Brasil e Argentina que buscam a transformação dos sistemas agroalimentares. 

As atividades fazem parte da Plenária Nacional da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), que teve início no dia 18 e segue até esta sexta, 22. Uma das rotas foi a visita feita na Associação de Moradores da Vila C Velha, onde é realizada parte das atividades do Projeto Rumos Cidadania Criativa. O projeto oferece oficinas gratuitas de formação em economia criativa para mulheres em situação de vulnerabilidade social, em diferentes regiões de Foz do Iguaçu.

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Na Associação de Moradores da Vila C Velha, são oferecidas aulas de Gastronomia e de Permacultura e Sustentabilidade. As atividades com a terra são feitas em uma hortal agroflorestal, implantada durante o Festival Vila Viva, realizado no mês passado.

sementes crioulas
Sementes crioulas são usadas para plantio. Foto: Assessoria Projeto Rumos

A horta, uma miniagrofloresta, fica em um terreno vizinho que antes estava sem utilização. Adrielle Chiceri, oficineira de permacultura e sustentabilidade do Projeto Rumos Cidadania Criativa e coordenadora do Cine Verde em Bici, explica que a iniciativa da miniagrofloresta surgiu a partir da permacultura.

Foi construída uma horta, permeada pela agrofloresta, que consorcia várias culturas, sendo a riqueza da agroecologia. “Trazendo isso, teremos uma diversidade melhor e um solo melhor preparado para ter um alimento saudável”, afirma. A prioridade é trabalhar com sementes crioulas, que são ancestrais e não têm modificação genética, revela Adrielle.

Antes de iniciar o plantio, foi realizado um mutirão, ao modo de um resgate feito por indígenas, ou seja, um preparo do solo que estava tomado por tiririca.

Proximidade com a terra

Moradora da Vila C há 42 anos, Neide Soares dos Santos, 63 anos, é uma das alunas do projeto. Ela relata que nas aulas aprende a mexer com a terra e passou a conhecer muitas plantas que servem para alimentação e tratamento de doenças.

Assista ao vídeo:

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Integrante da rota, a pescadora artesanal Myrelly Gonçalves veio do município de São José da Cora Grande, litoral de Pernambuco, para participar da plenária. Ela integra a Articulação Nacional das Pescadoras (ANP) e conheceu o bioma da pesca da região de Foz do Iguaçu. “Esse intercâmbio é muito rico, porque traz conhecimento. Somos todos parentes, vivemos em mundos diferentes, mas a luta é a mesma”, ressalta.

pescadora artesanal
a pescadora artesanal Myrelly Gonçalves veio do município de São José da Cora Grande, litoral de Pernambuco. Foto: Assessoria Projeto Rumos

O Rumos Cidadania Criativa é uma realização do Projeto Aprendendo a Viver, que tem apoio da Itaipu Binacional. A iniciativa desenvolve oficinas gratuitas voltadas à economia criativa, sustentabilidade e autonomia feminina em diferentes regiões de Foz do Iguaçu, por meio de parcerias com entidades comunitárias e instituições locais.

Durante a visita, os participantes conheceram murais grafitados com temática sustentável produzidos pelas ações do projeto e acompanharam a apresentação do Cine Verde em Bici. Projeto com bicicleta adaptada ao modo de um cinema itinerante, o Cine Verde Bici atua com temáticas da agroecologia, sustentabilidade e movimentos territoriais de luta, levando a perspectiva da agroecologia para as cidades das Três Fronteiras. Para isso, são exibidos filmes e realizados debates e oficinas formativas.  

Campanha de agroecologia

Na sexta-feira, no final do evento, será lançada a campanha Agroecologia nas Eleições 2026. A proposta é colocar a agenda agroecológica no centro do debate eleitoral, a partir de pautas concretas elaboradas pelo movimento para orientar o compromisso das candidaturas.

A programação da plenária é uma preparação para o 5° Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), previsto para ocorrer em 2027, em Foz do Iguaçu.

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    Denise Paro

    Denise Paro é jornalista pela UEL e doutoranda em Ciências Políticas e Relações Internacionais. Atua há mais de duas décadas nas Três Fronteiras e tem experiência em reportagens especias. E-mail: deniseparo@h2foz.com.br

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