Verde some. Vermelho toma conta do mapa dos rios do Paraná

O Rio Iguaçu agora aparece no mapa com marcações vermelhas e uma "dividida".

Dos 86 pontos de coleta de dados dos 51 rios que existem no Estado, apenas dois têm nível acima do normal.

No levantamento de quinta-feira (dia 16) da semana passada, sete das 86 estações telemétricas, que medem o nível dos 51 rios paranaenses, eram marcadas com triângulos verde. O verde significa nível acima da cota normal.

Nesta semana, no levantamento divulgado quinta-feira, 23, pelo Instituto de Água e Terras, o mapa hidrológico registra apenas dois pontos verdes. Todos os demais estão com triângulos vermelhos, isto é, nível abaixo da cota normal.

Numa das maiores e mais longas estiagens que o Paraná enfrenta, só com muita chuva a situação normalizaria, nos próximos meses. Mas a previsão é que vai chover abaixo da média, até o final do ano.

RIO IGUAÇU

A situação é dramática nos dois principais rios do Paraná, o Paraná e o Iguaçu, que também cortam Foz do Iguaçu.

No dia 16, quatro estações telemétricas do Rio Iguaçu, exatamente no Baixo Iguaçu, se destacavam com triângulos verdes.

Desta vez, ficou tudo vermelho, no Alto, no Médio e no Baixo Iguaçu.

As três estações marcadas com verde, no último levantamento, eram em Porto do Santana, ETA de Francisco Beltrão e Ponte do Capanema.

O nível em Porto do Santana caiu de 509 cm para os atuais 443 cm, quando a cota normal é 481 cm.

Em relação à ETA de Francisco Beltrão, a estação registrava 311 cm. O nível caiu para 258 cm. Na verdade, embora marcada com triângulo vermelho, esta estação também tem, ao fundo, o triângulo verde, porque está um pouco acima da cota normal, que é de 255 cm.

No entanto, apesar da pouca água do Rio Iguaçu, as Cataratas vertem, na manhã desta sexta-feira, 24, mais de mil metros cúbicos por segundo.

A explicação é simples. As usinas localizadas ao longo da bacia do Rio Iguaçu estão utilizando suas reservas de água para gerar mais energia.

Salto Segredo: aumento da produção graças à utilização da reserva, que já está muito baixa. Foto Copel

Um bom exemplo é Salto Segredo. O reservatório da usina estava recebendo, nesta manhã, 206 metros cúbicos por segundo. Mas a vazão turbinada – isto é, a água que volta ao rio depois de passar pelas turbinas e gerar energia – era de 1.100 metros cúbicos por segundo.

Até quando as usinas poderão produzir rebaixando os reservatórios é uma incógnita. Mas, certamente, não por muito tempo. No caso de Salto Segredo, o reservatório está hoje com apenas 16,29% de sua capacidade. Neste mesmo horário, ontem, quinta, o volume útil do reservatório estava com 18,23% de sua capacidade.

PARANAZÃO

Este é um dos braços do Rio Paraná, em território paraguaio. O fotógrafo Oscar Rivet pôde atravessar (veja embaixo da imagem) com o carro onde antes era só água. Situação do rio, assim, só foi vista antes há 70 anos.

No Rio Paraná, a situação também só vem se agravando. A estação telemétrica de Guaíra aponta o fenômeno da redução do nível do rio, cada vez mais acelerada depois que as chuvas pararam.

Há duas semanas, a régua marcava 100 cm; na semana passada, com as chuvas localizadas, o nível aumentou para 11 cm. Agora, caiu para 97 cm. A cota normal é 137 cm.

Na estação telemétrica de Novo Três Passos, a situação mudou para melhor, possivelmente por chuvas em afluente. Na semana passada, estava em 110 cm e, agora, passou para 127 cm. Muito longe da cota média, de 230 cm.

Na pequena central hidrelétrica do Rio São Francisco Falso, que deságua no reservatório de Itaipu, a marcação da semana passada era de 103 cm. Caiu para 98 cm, quando a cota média é 118 cm.

OS PONTOS VERDES

No mapa hidrológico paranaense, só o Rio Ribeira, na região de Curitiba (a 90 km de Curitiba), aparece com triângulo verde. Está com o nível de 1,96 metro, quando a cota normal é 1,80.

Mas, nas duas outras estações telemétricas, o rio está mais baixo. Em Córrego Comprido, o normal é 3,22 m, mas está com 2,85 metros. Na Ponte do Açungui, a estação registra 56 cm, quando o normal seria 81 cm.

Das várias estações telemétricas da bacia do Rio Paranapanema 4, também apenas uma delas está marcando verde, isto é, com nível acima da cota normal.

No mais, o mapa do Paraná é uma vermelhidão só.

CONFLUÊNCIA

Confluência dos rios Paraguai e Paraná, ambos com vazão historicamente baixa. Foto Oscar Rivet (Twitter)

Em sua página no Twitter, o fotógrafo paraguaio Oscar Rivet publica belas imagens de regiões do Paraguai pouco conhecidas de nós, brasileiros.

Mas também outras que revelam a situação dos principais rios para o Paraguai, o Paraguai e o Paraná.

Oscar diz, no Twitter, que “a baixa (do Rio Paraná) impressiona, mas, dadas as circunstâncias, esta situação permite ser testemunha de fatos assombrosos e históricos”.

No departamento de Ñeembucu, depois de fotografar a confluência dos rios Paraguai e Paraná, Oscar mostrou como conseguiu passar sobre o leito seco de um dos braços do Rio Paraná. Moradores da região, segundo ele, dizem que uma situação de baixa do Rio Paraná semelhante a esta ocorreu há cerca de 70 anos.

PONTE DA AMIZADE

O monitoramento hidrológico feito pela Itaipu Binacional mostra que o nível do Rio Paraná, na Ponte da Amizade, vai variar nesta sexta-feira entre 95,81 e 95,43 metros acima do nível do mar.

Isto é, entre um pouco acima e um pouco abaixo da cota normal, que é de 105,59 metros acima do nível do mar.

O Rio Paraná, na Ponte da Amizade, vai variar nesta quinta-feira, 23, entre a cota 95,65 e 97,34 metros acima do nível do mar, segundo o Boletim Hidrológico da Itaipu Binacional.

A situação está um pouco melhor, em relação a semanas anteriores, mas ainda assim significa oito metros abaixo da cota normal. Para sexta-feira, mínima deve baixar para 95,33 e máxima para 96,82 metros.

Veja matéria da semana passada:

E a de ontem, quinta-feira (23)

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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