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Guardador de Palavras do Segundo Ano D. Uma espera de três anos, com final feliz!

Os primeiros rascunhos do livro nasceu depois que os estudantes foram apresentados à coleção Guardador de Palavras da Gabi.

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Guardador de Palavras do Segundo Ano D. Uma espera de três anos, com final feliz!
Estudantes receberam com alegria o livro que nasceu em atividade escolar. Foto: Gabriella B. F. Soraggi.

Aida Franco de Lima – OPINIÃO

Quando prometemos algo a uma criança, ela vai cobrar para sempre. E, se não cobrar, vai guardar na memória. No ano de 2023, fui até a Escola Municipal Lúcia Moro, de Cianorte – PR, para conhecer o trabalho realizado pelos estudantes do então Segundo Ano B. Fiz uma promessa que, com esforço coletivo, foi cumprida três anos depois.

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Eles haviam conhecido o trabalho que desenvolvo, o Guardador de Palavras da Gabi, uma coletânea de frases da infância e adolescência da minha filha, que demonstra a importância da escuta ativa e da comunicação não-violenta. Com o estímulo e apoio dos professores Bruno José e Renata Pannuci, passaram semanas construindo seus próprios Guardadores. Cada um a seu tempo, respeitando seus limites e dando asas à imaginação e à criatividade.


Os estudantes estavam se preparando para a Mostra Literária e, para estimular o trabalho, era escolhida uma autora. O professor Bruno poderia ter escolhido qualquer outro nome mundialmente conhecido, mas levou para os estudantes um trabalho no qual eles se viam representados através de desenhos, dúvidas, certezas e sonhos que permeiam o universo da fase mais mágica da vida: a infância.


Cada estudante confeccionou seu próprio Guardador. Os alunos autistas foram estimulados a explorar suas habilidades: assim, um aluno desenhou seu cotidiano e outra estudante foi fotografada realizando as atividades de que mais gosta. No dia da Mostra Cultural, fui convidada a participar do evento, onde havia uma sala especialmente preparada, com professores, estudantes e familiares orgulhosos. E naquele dia prometi a eles que transformaria aquele conteúdo em um livro, com registro e tudo mais que uma obra oficial exige.

Estudantes e colegas receberam com alegria e encantamento o livro com os conteúdos que escreveram quando estavam no Segundo Ano do Ensino Fundamental. Hoje estão no Quinto Ano. Foto: Gabriella B. F. Soraggi


Foram anos de trabalho. A primeira iniciativa, antes mesmo da entrega do material produzido por eles, foi garantir que todos os conteúdos fossem escaneados para posterior edição. Paralelamente, houve a solicitação de autorização de cada responsável para liberar os direitos autorais dos pequenos grandes autores. Para que os livros chegassem gratuitamente a cada família, foram disputados editais de incentivo à cultura, através da Lei Aldir Blanc. O primeiro edital em que o projeto foi classificado acabou anulado. No segundo, novamente houve êxito, assim como continuidade no trabalho de edição do material.


Ao todo, foram 344 páginas. Apenas uma família não deu retorno sobre a autorização para publicação do conteúdo e, infelizmente, as lindas páginas do estudante ficaram de fora. Foi muito trabalho e dedicação. O designer gráfico Frederico Fonseca, que trabalha para grandes editoras em São Paulo, abraçou mais uma vez a ideia e entregou um conteúdo impecável em tempo recorde, apesar da agenda apertada. O livreiro Roberto Guirard novamente colocou sua experiência e capacidade profissional à disposição.


E, na sexta-feira, dia 29 de junho, uma grande festa aconteceu. As duas turmas do quinto ano vespertino se uniram para a grande surpresa: conhecer o Guardador de Palavras do Segundo Ano D. A expectativa era enorme, tanto por parte das crianças que participaram do projeto quanto dos novatos que chegaram à escola no ano seguinte ou eram de outras turmas.

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Os estudantes ficaram curiosos com os livros cujos autores são seus próprios colegas de sala. Foto: Gabriella B. F. Soraggi

Uma festa. Pedi para fecharem os olhos e só abrirem quando mostramos a capa. Foi aquele “ohhhhhh”. Cada aluno recebeu seu livro, tirou fotos dando autógrafos e, é claro, não tinha como deixar o restante da turma sem livros. Todos ganharam exemplares, interagiram, comentaram, relembraram momentos. Um dia emocionante, que ficará para sempre na memória de todos os presentes. E quem sabe esta seja uma semente lançada que um dia frutificará nas páginas de grandes autores, estimulados por esse gesto de escuta e acolhimento na infância?

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

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    Aida Franco de Lima

    Aida Franco de Lima

    Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente.

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