Psicopata em ação no Jardim Tarobá: 10 gatos morrem envenenados

Meio assustado, o gato observa o amigo, já sem vida, dentro da caixa de papelão. Foto Cortesia

Boa parte dos moradores alimentava os bichinhos, que viviam num terreno baldio. Mas alguém tinha ódio deles.

Havia uma comunidade de mais de 12 gatos que se abrigava num terreno baldio na Alameda Dionísio Cogo, no Jardim Tarobá, em Foz do Iguaçu. Os moradores davam comida, as crianças brincavam com eles e os bichinhos eram felizes.

“Eram bem dóceis”, diz a jovem Larissa Mardurkiewicz, que mora na vizinhança do terreno onde ficavam os gatos.

No mês passado, nove deles apareceram mortos ao mesmo tempo. Três eram filhotinhos. Pelas características, foi envenenamento. Na manhã desta terça-feira, 5, mais um bichano foi vítima do mesmo (ou mesmos?) criminoso.

Criminoso? Sim, maltratar animais domésticos é crime ambiental, sujeito a uma pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, conforme a Lei Federal 14.064/2020.

Os três gatos que sobreviveram à matança serão levados por Larissa a uma entidade de proteção animal, porque agora é questão de tempo para o criminoso voltar a agir.

À direita, o gato como foi encontrado, na calçada. Depois, na caixa que Larissa providenciou. Fotos: Larissa Mardurkiewicz

DENÚNCIA

Na época em que os nove gatos apareceram mortos, Larissa fez a denúncia ao Centro de Controle de Zoonoses. Inicialmente, quem atendeu queria que ela apresentasse laudos sobre a causa mortis.

Numa nova tentativa, ela conseguiu que a denúncia fosse registrada. Os funcionários do CCZ estiveram no local e recolheram os corpos dos gatos. Segundo Larissa, consta que o processo ainda está em andamento.

Larissa também ligou para o número 181 da Polícia Militar, que é o Disque-Denúncia de crimes, inclusive ambientais, como neste caso. “Não deu em nada”, critica Larissa.

RECOMENDAÇÃO

A chefe de divisão do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Renata Defante Lopes, esclareceu o caso.

Ela explicou que o CCZ é um órgão de saúde pública, ligado, inclusive, à Secretaria Municipal de Saúde. Em situações como a da denúncia apresentada por Larissa, os funcionários do CCZ comparecem ao local para recolher os animais mortos.

Os corpos passam por exames, para investigação de zoonoses, em especial a raiva.

Renata recomendou que, em casos semelhantes, a pessoa deve procurar a polícia e abrir um boletim de ocorrência, denunciando o que aconteceu.

Fica a recomendação: dá mais trabalho e exige paciência de quem quer punição para criminosos, mas o procedimento é uma denúncia formal, com B.O., fotos e tudo o mais que comprove o crime.

VIZINHOS

Alguns integrantes da comunidade felina, já mortos. Fotos Larissa Mardurkiewicz

Há suspeitos do envenenamento? Sempre há, o difícil é provar.

“Muita gente adorava os gatos”, conta Larissa. Mas ela também ficou sabendo que, num prédio vizinho, moradores se queixavam de que os gatos entravam na garagem. Provavelmente, subiam no teto dos carros e faziam alguma pequena estripulia. Mereciam morrer por isso?

Para esse psicopata, sim. “Um carro vale mais que a vida de um bichinho”, lamenta Larissa. Ela tem uma gatinha e estava se preparando para adotar algum dos bichanos que viviam em liberdade, mas não deu nem tempo pra escolher um.

VÍTIMAS DA CRUELDADE

O envenenamento é a principal causa da morte de cães e gatos em situação de rua, informa a ONG AOPA. Supera, inclusive, o número de mortes causadas por atropelamentos.

O que mais se usa para este crime é o conhecido “chumbinho”, um veneno ilegal e de venda proibida, mas facilmente encontrado, vendido como “veneno para ratos”.

A morte por chumbinho é um tremendo sofrimento. Os sintomas incluem tremores em alguns músculos, diminuição dos batimentos cardíacos, salivação excessiva, dificuldades para respirar, diarreia, vômitos, tosse, secreções nasais, edema pulmonar e perda da coordenação motora, até chegar a morte.

No Paraná, somente no ano passado, o telefone 181 da Polícia Militar recebeu 7.076 denúncias sobre maus-tratos a animais domésticos.

LEI FEDERAL

A Lei Federal 14.064/202, de 2020, aumentou a penalidade prevista para quem praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar cães e gatos.

A lei anterior previa detenção de três meses a um ano e multa. Pela nova lei, são dois a cinco anos de reclusão, multa e proibição de guarda.

POR QUE PSICOPATA?

Alguém pode contestar: é psicopata quem mata gatos? Pela definição abaixo, sim:

O psicopata é caracterizado por um desvio de caráter, ausência de sentimentos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação, narcisismo, egocentrismo, falta de remorso e de culpa para atos cruéis e inflexibilidade com castigos e punições.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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