Raiz do rap em Foz do Iguaçu, ZeroPontoUm reúne grupo para show após mais de 15 anos

Caê, Kanibal e MC Rodrigo se apresentam na Batalha da Pista, nesta segunda-feira, 27, às 20h.

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Resguardadas as adequadas proporções, o refrão “firma, firma, de olho na rima” foi quase um “chiclete” que todo mundo cantava nos movimentos hip-hop e underground de Foz do Iguaçu lá pelos anos 2000. O som é do ZeroPontoUm, que decidiu reunir os três componentes do grupo para um show histórico, depois de mais de 15 anos sem tocar juntos, nesta segunda-feira, 27, às 20h, na Batalha da Pista.

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Formado por Caê Traven, Kanibal e MC Rodrigo, o grupo ajudou a abrir os caminhos do rap na cidade e na fronteira. Não dá para dizer que naquele “tempo era tudo mato”, mas o trio fazia o som com dois aparelhos discman e toca-discos, até chegar ao CDJ – com mais recursos, uma inovação para a época –, e promovia encontros na Praça Naipi, Pista do Amarelo ou no Vedega bar. Eles foram os primeiros no estilo a gravar CD, um EP.

O revival dos rappers em Foz do Iguaçu terá velhas e novas composições. A escolha do local, a pista pública de skate, não poderia ser melhor, já que o espaço também foi inaugurado perto dos anos 2000, sendo um dos ambientes de efervescência do hip-hop naquele período. Hoje, o lugar foi ressignificado pela Batalha da Pista, que acontece há sete anos, às segundas-feiras, difundindo a cultura.

“Quebrar o sistema”

Antes de ser ZeroPontoUm foi Enquadro Verbal, que tinha dez pessoas e tantas outras influências, e Atitude Consciente. A ideia sempre foi compor rap com a realidade social de Foz do Iguaçu, levando a mensagem de autovalorização humana e das pessoas pretas e periféricas. A juventude da quebrada era obrigada a buscar sustento como laranja, passando cota de muamba pela Ponte Internacional da Amizade, à mercê da violência e quase sem opções.

O nome do grupo alude à linguagem binária, o 0 e o 1, que pipocava na viragem do milênio. “Como éramos um ponto contra o sistema, essa era metáfora sobre a forma de quebrá-lo, colocando um ponto de interrogação, de insatisfação”, resgata Caê ao H2FOZ. “A gente sempre trabalhou com o rap consciente, com o intuito de a letra levar a valorização da pessoa humana, da pessoa preta e da pessoa periférica.”

Entre 2001 e 2006, fizeram participações em eventos culturais e shows nas cidades da região e do Paraguai. O histórico inclui até mesmo apresentação na Fartal, em 2004, o que era praticamente inconcebível. Aliás, a ideia do trio é agora fazer mais um show neste mês e continuar em 2024, incluindo uma grande produção para celebrar os 20 anos do ZeroPontoUm na feira que comemora o aniversário de Foz do Iguaçu.

“É importante ter essa oportunidade de se apresentar na Batalha da Pista, lugar que ajudou a dar notoriedade para o rap de Foz do Iguaçu. É muito satisfatório poder mostrar o nosso trabalho para essa nova geração”, revela. “E celebrar os 50 anos do hip-hop mundial, quatro décadas dessa cultura no Brasil e os 22 anos de ZeroPontoUm”, finaliza Caê Traven, que hoje se divide entre Foz do Iguaçu e Curitiba.

Rap e resistência

Um dos organizadores da Batalha da Pista, DJ Smoke afirma que receber o ZeroPontoUm reforça o movimento que ele considera ser de resistência do hip-hop na cidade. “É muito importante apresentar um grupo que tanto contribuiu para o rap na pista pública, pois a batalha garantiu-se como um espaço de encontro da juventude das periferias de Foz do Iguaçu e de resistência.”

Para ele, o show de Caê, Kanibal e MC Rodrigo também será uma oportunidade de reencontro aos integrantes mais antigos do movimento. “Estendemos o convite para todos que embalaram o rap em diferentes épocas na nossa cidade. Será um show de resgate da memória, mas também de reafirmar que o hip-hop segue pulsando em iniciativas independentes, como a Batalha da Pista e muitas outras”, reforça DJ Smoke.

Batalha da Pista
Show de ZeroPontoUm
Data: 27 de novembro (segunda-feira), às 20h
Local: pista pública de skate, na frente do Ginásio Costa Cavalcanti
Evento gratuito

Arte: Divulgação
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