“Ninguém suporta as filas na Ponte da Amizade”. A chamada de capa do jornal Hoje Foz, em edição de 1979, mostra que o problema se arrasta por anos e décadas. A reportagem, disponível on-line no Museu da Imprensa, apresenta reclamações de motoristas que esperavam por horas e críticas à fiscalização na fronteira entre Brasil e Paraguai.
A Ponte Internacional da Amizade liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este. As filas para ir e vir do Paraguai estão longe de ser um problema recente. Há quase cinco décadas, motoristas já enfrentavam filas quilométricas, esperas de horas e dificuldades para fazer a travessia.
As reclamações estão registradas nas páginas do jornal iguaçuense, na edição semanal de 18 a 25 de outubro de 1979.
Com o título “Até quando?”, a matéria retratou uma situação que guarda semelhanças com os problemas enfrentados atualmente por quem precisa cruzar a fronteira. Naquela época, a fila de automóveis e caminhões se estendia da ponte até as proximidades do trevo de acesso à Vila A, em direção à BR-277.
Filas na Ponte da Amizade
Segundo a publicação, o congestionamento chegava a quase um quilômetro e pouco variava de tamanho. Sob o sol forte, motoristas aguardavam para passar pelos procedimentos de fiscalização da Receita Federal e do órgão denominado Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil (Cacex).
A reportagem relatou casos de condutores que permaneciam horas na fila. Um deles, Felipe João Radario, estava a mais de 500 metros da ponte, depois de duas horas de espera. Ele afirmou que a situação era diária e que a fiscalização demorava especialmente quando envolvia cargas de mercadorias variadas.
Outro motorista, José Luiz dos Campos, que fazia fretes entre Foz do Iguaçu e Puerto Presidente Stroessner, antigo nome de Ciudad del Este, contou que conseguia realizar no máximo duas viagens por dia. O motivo era o tempo consumido na fila.
A equipe do jornal também acompanhou o trabalho de fiscalização e registrou uma espera de 35 minutos para a vistoria de uma carga. Na avaliação dos entrevistados, o número reduzido de funcionários contribuía para a lentidão.
As queixas não se limitavam ao tempo de espera. Motoristas também reclamavam da organização do trânsito, da entrada de veículos na fila e do atendimento durante os procedimentos de fiscalização.
Um dos entrevistados, que trabalhava havia dez anos no transporte entre os dois países, resumiu sua percepção em uma frase: “É sempre a mesma porcaria”.
Na época, até a possibilidade de separar o fluxo de veículos de passeio e caminhões aparecia entre as sugestões apresentadas pelos motoristas. A reportagem também ouviu representantes da fiscalização, que reconheceram a existência de problemas na operação.
Acesse o conteúdo original e na íntegra.
Museu da Imprensa
Acervo digital de jornais, revistas e publicações impressas de Foz do Iguaçu, com acesso público e gratuito. Reúne documentos que testemunham a trajetória do município e de sua gente, em imbricação com as Três Fronteiras — Argentina, Brasil e Paraguai.
A coleção inicial reúne quase 20 mil páginas, cobrindo um período histórico de seis décadas, a partir de 1953. O conteúdo é resultado do esforço coletivo de resgate, preservação e valorização desse patrimônio. O projeto é uma iniciativa da Associação Guatá, com apoio da Itaipu Binacional.
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