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História

Cidade mais solidária

Padre Germano Lauck, em 1986: a função humana de uma cidade

Religioso alertava para o que chamou de anticidade, que mais separava do que unia, e defendia os vínculos e a convivência entre as pessoas.

3 min de leitura
Padre Germano Lauck, em 1986: a função humana de uma cidade
Padre Germano chamava a atenção para a necessidade de uma comunidade mais unida - foto: Jornal Nosso Tempo/reprodução

O crescimento acelerado de Foz do Iguaçu e seus efeitos sobre a convivência social eram motivo de reflexão em 1986. Em artigo publicado na edição de 9 de junho daquele ano do jornal Nosso Tempo, o padre Germano Lauck alertava para os problemas de uma cidade transformada pela expansão urbana. O artigo integra o acervo do Museu da Imprensa.

O religioso iguaçuense, que vivia e trabalhava no município desde 1972, refletia sobre a função humana de uma cidade e, no outro extremo, sobre os efeitos do que chamava de anticidade. Urbanização acelerada, individualismo, fragmentação social e perda dos vínculos comunitários eram temas de sua atenção.

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Ao analisar as mudanças da cidade, Lauck descrevia uma realidade marcada pela desorganização do crescimento e pela desigualdade nas relações sociais. Segundo ele, as cidades cresciam sem planejamento, subordinadas aos interesses de grupos mais poderosos, sem que fossem garantidos os recursos necessários para construir uma sociedade verdadeiramente humana.

O diagnóstico era direto: “Cidades assim são mais anticidade do que cidade; não cumprem a função humana e humanizante de uma cidade”. A expressão sintetizava uma crítica que ultrapassava a infraestrutura urbana. Para o padre, o problema estava também na maneira como as pessoas se relacionavam e participavam da vida coletiva. A expansão da cidade favorecia o individualismo, o isolamento entre classes sociais e o enfraquecimento dos interesses comuns.

Função humana da cidade

No artigo, ele apontava que problemas coletivos passavam a ser vividos como questões individuais. A busca pelo bem-estar particular se sobrepunha à solidariedade, à convivência e à valorização dos espaços compartilhados. Até mesmo as relações familiares, observava, eram afetadas pela procura de satisfação individual. Lauck também destacava as dificuldades enfrentadas por quem chegava a Foz do Iguaçu.

Como contraponto, o religioso defendia a união, a participação e a solidariedade. A convivência, afirmava, era uma necessidade humana urgente em uma cidade que, na avaliação dele, “mais separa do que une”.

Leia o texto original na íntegra.

Museu da Imprensa

Acervo digital de jornais, revistas e publicações impressas de Foz do Iguaçu, com acesso público e gratuito. Reúne documentos que testemunham a trajetória do município e de sua gente, em imbricação com as Três Fronteiras — Argentina, Brasil e Paraguai.

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A coleção inicial reúne quase 20 mil páginas, cobrindo um período histórico de seis décadas, a partir de 1953. O conteúdo é resultado do esforço coletivo de resgate, preservação e valorização desse patrimônio. O projeto é uma iniciativa da Associação Guatá, com apoio da Itaipu Binacional.

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    Paulo Bogler

    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.

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