H2FOZ
Início » Planeta Foz » História » Paraguai e crises: queda de Stroessner e hegemonia do Partido Colorado

História

Memória

Paraguai e crises: queda de Stroessner e hegemonia do Partido Colorado

O regime ruiu em 1989 diante de fraturas na sigla, mas o coloradismo se manteve; Alfredo Stroessner perdeu o poder pela mesma via que o conquistou: golpe de Estado.

4 min de leitura
Paraguai e crises: queda de Stroessner e hegemonia do Partido Colorado
Palácio López, sede do governo do Paraguai - foto: Jornal Nosso Tempo/reprodução

“Sim para ficar, não para não sair.” A ironia era usada para explicar como os opositores enxergavam as eleições no Paraguai durante a ditadura de Alfredo Stroessner, que vigorou de 1954 a 1989. Reportagem do jornal Nosso Tempo contextualizou a queda do general, a crise política e a hegemonia do Partido Colorado no país vizinho.

O conteúdo analítico ganhou as páginas do jornal editado em Foz do Iguaçu em 10 de fevereiro de 1989, portanto, ainda no calor dos acontecimentos. A edição está disponível para acesso gratuito e on-line no Museu da Imprensa.

Publicidade

A agremiação — Associação Nacional Republicana (ANR) — foi fundada no século 19, após o término da Guerra do Paraguai (1864-1870). São oito décadas de predomínio político do chamado coloradismo, desde 1946, praticamente em coninuidade.

Em fevereiro de 1989, o Paraguai encerrou um dos períodos mais longos de ditadura na América Latina com a queda de Stroessner. Sinônimo de poder, ele perdeu o mando pela mesma via que o conquistou: golpe de Estado. A ruptura foi comandada pelo general Andrés Rodríguez, um de seus principais aliados.

A reportagem do Nosso Tempo contextualiza como o mandatário se manteve no poder por praticamente 35 anos. Esse predomínio foi ancorado em dois pilares fundamentais: as Forças Armadas e o aparato do Partido Colorado enraizado na sociedade.

Um ano antes de cair, o ditador fora reeleito em 1988 com 89% dos votos. Esse processo era denunciado dentro e fora do país, com acusações de fraude eleitoral, incluindo falsificação de títulos, sequestro de urnas e soma de votos de eleitores fantasmas.

Paraguai: Partido Colorado

A combinação de crise econômica e perda de apoio na base aliada colorada precipitou o colapso do regime, cita o jornal. O Partido Colorado funcionou historicamente como o braço político que, em conjunto com o setor militar, garantiu a hegemonia e a estabilidade do poder de Stroessner.

Nascida sobre os escombros da Guerra da Tríplice Aliança, a agremiação viu sua estrutura ser moldada pelo caudilho desde o final da década de 1950, conforme reportagem veiculada no Nosso Tempo. Naquele momento, o regime expurgou a primeira grande dissidência interna, o Movimento Popular Colorado (Mopoco).

Publicidade

Contudo, a crise política que culminou no golpe de 1989 foi aprofundada pelo esfacelamento da unidade partidária, dividida em facções irreconciliáveis entre os chamados “militantes” e “tradicionalistas”, além da atuação do Movimento de Integração Colorada. A incapacidade de conter as alas divergentes e a perda de autoridade perante o comando militar solaparam a permanência do governante.

Estado e partido se misturam

A manutenção do domínio colorado e militar sobre o Estado paraguaio também se estruturou em um amplo sistema de patronato e corrupção, no qual o loteamento dos cofres públicos, a concessão de privilégios de contrabando e o narcotráfico eram utilizados para assegurar a lealdade de aliados. Dirigentes do partido e ministros do alto escalão acumularam grandes fortunas e propriedades à sombra do regime.

O Nosso Tempo lembrou que, diante da deterioração social e da oposição firme, o sistema desmoronou em 1989, fazendo com que o homem forte do Paraguai fosse expelido do poder pelo mesmo instrumento que o consagrou: a intervenção das armas. Caiu o general, mas o Partido Colorado permaneceu.

Acesse o conteúdo na íntegra.

Museu da Imprensa

Acervo digital de jornais, revistas e publicações impressas de Foz do Iguaçu, com acesso público e gratuito. Reúne documentos que testemunham a trajetória do município e de sua gente, em imbricação com as Três Fronteiras — Argentina, Brasil e Paraguai.

A coleção inicial reúne quase 20 mil páginas, cobrindo um período histórico de seis décadas, a partir de 1953. O conteúdo é resultado do esforço coletivo de resgate, preservação e valorização desse patrimônio. O projeto é uma iniciativa da Associação Guatá, com apoio da Itaipu Binacional.

Acesse: www.museudaimprensafoz.com.br
Siga: @museudaimprensafoz
Participe do grupo no WhatsApp:
https://chat.whatsapp.com/CSurBq3JBozGLRAN0aUfyI

Newsletter

Cadastre-se na nossa newsletter e fique por dentro do que realmente importa.


    [cf7sr-recaptcha]

    Você lê o H2 diariamente?
    A partir de R$5,00 por mês. Cancele quando quiser.
    Paulo Bogler

    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.

    Deixe um comentário