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Radiotáxi colocou Foz na rota da modernização do transporte de passageiros

Frota da Já Vai foi pioneira em sistemas de radiocomunicação em táxis; no Paraná, apenas Foz do Iguaçu e Curitiba tinham o serviço. Resgate é do Museu da Imprensa.

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Radiotáxi colocou Foz na rota da modernização do transporte de passageiros
Serviço pioneiro acompanhou o crescimento da cidade - foto: Jornal Hoje Foz/reprodução


Em meio ao crescimento acelerado de Foz do Iguaçu no fim da década de 1970, um serviço começava a transformar a rotina urbana e o atendimento aos turistas: o radiotáxi. A inovação, considerada avançada para a época, foi implantada pela antiga empresa Já Vai. Apenas a Terra das Cataratas e Curitiba ofertavam esse serviço.

O resgate é do Museu da Imprensa de Foz do Iguaçu, a partir de reportagem do jornal Hoje Foz, de fevereiro de 1980, que entrevistou o proprietário da frota, Luiz Toaldo. Na época, ele passou a operar veículos equipados com radiocomunicador, conectados a uma central de atendimento.

O sistema era uma novidade em Foz do Iguaçu, restrita a poucas cidades brasileiras. Na entrevista, Toaldo contou que a proposta era oferecer mais segurança, rapidez e conforto aos passageiros, especialmente aos turistas que chegavam à cidade em pleno período de expansão impulsionado pela construção de Itaipu e pelo fortalecimento do comércio de fronteira.

“Com sacrifício e muito trabalho, fui adquirindo os carros e aumentando a frota”, narrou. “A cidade cresceu bastante e achei que era hora de proporcionar mais conforto e segurança para os motoristas e passageiros, principalmente aos turistas, e resolvi dotar meus carros com aparelhos de rádio.”

Os veículos eram monitorados por uma central de comunicações. Ao iniciar uma corrida, o motorista informava o destino e permanecia em contato durante o trajeto. O sistema permitia localizar rapidamente os carros e prestar suporte em caso de pane ou emergência.

Radiotáxi em Foz

A tecnologia, porém, exigia investimento elevado. A reportagem relata que os equipamentos dependiam de autorização do antigo órgão federal de telecomunicações e utilizavam cristais importados e lacrados no Rio de Janeiro, cujo processo de fabricação levava até 180 dias.

Na época, a frota da empresa contava com oito carros equipados com rádio e outros dez veículos convencionais. O empresário destacava ainda a preocupação em manter carros novos circulando pela cidade, considerando o perfil turístico de Foz do Iguaçu.

Pioneirismo

O radiotáxi representou uma mudança cultural no transporte urbano local. Em um período sem telefonia móvel, aplicativos ou geolocalização, o radiocomunicador aproximava passageiros e motoristas de maneira inédita, antecipando um modelo de atendimento que décadas depois se tornaria padrão.

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Hoje, o antigo sistema de rádio pode parecer simples diante das plataformas digitais atuais, mas permanece como símbolo de uma fase de modernização da cidade. O veículo retratado na reportagem ajuda a preservar a memória de um tempo em que tecnologia, comunicação e transporte começavam a redefinir a mobilidade urbana em Foz do Iguaçu.

Leia a matéria original na íntegra.

Museu da Imprensa

Acervo digital de jornais, revistas e publicações impressas de Foz do Iguaçu, com acesso público e gratuito. Reúne documentos que testemunham a trajetória do município e de sua gente, em imbricação com as Três Fronteiras — Argentina, Brasil e Paraguai.

A coleção inicial reúne quase 20 mil páginas, cobrindo um período histórico de seis décadas, a partir de 1953. O conteúdo é resultado do esforço coletivo de resgate, preservação e valorização desse patrimônio. O projeto é uma iniciativa da Associação Guatá, com apoio da Itaipu Binacional.

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    Paulo Bogler

    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.