O analista político e estatístico Luiz Carlos Kossar dissecou os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o município de Foz do Iguaçu, identificando a desidratação do voto local. O levantamento revela uma mudança estrutural na dinâmica das eleições proporcionais, ou seja, para os cargos de deputado estadual e federal.
Entre 2002 e 2022, o volume de votos nominais em candidatos locais para deputado estadual sofreu uma queda, saindo do patamar de 107 mil para cerca de 86 mil nas duas últimas eleições.
Na via contrária, os candidatos de outras regiões, os “de fora”, tiveram sua votação triplicada na cidade, passando de parcos 13,2 mil em 2002 para contundentes 40,1 mil em 2022.
Com efeito, defende Kossar, é possível fazer a projeção para 2026. Para um eleitorado de aproximadamente 207 mil pessoas, a estimativa é de cem mil votos nominais para nomes da cidade, projeta o analista.
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No cenário para deputado federal, a desidratação do voto local é ainda mais acentuada, culminando em uma inversão histórica no pleito de 2022. Pela primeira vez no período analisado, os candidatos externos superaram numericamente os candidatos da cidade em Foz do Iguaçu, obtendo 69.878 votos contra 69.175.
Essa tendência de queda contínua é visível desde 2002, quando os nomes locais detinham 101,9 mil votos nominais na fronteira.
Para as Eleições 2026, a tendência aponta para uma recuperação parcial do voto em representantes da cidade, com a manutenção de uma forte presença de candidaturas externas no cenário municipal.
Histórico de votos em candidatos a deputado estadual em Foz:

Histórico de votos em candidatos a deputado estadual em Foz:

Eleição e os nomes Foz
À votação em “candidatos de fora”, reflete Luiz Carlos Kossar, deve ser somado outro fator desafiador para a representatividade política de Foz do Iguaçu, que é grande número de postulantes a cadeiras legislativas. Apesar de a lista oficial estar disponível somente após os registros das candidaturas na Justiça Eleitoral, a cidade conta com cerca de 30 eventuais concorrentes para deputado estadual e federal neste ano.
As principais conclusões e observações de Kossar, com base no levantamento das últimas seis eleições, são:
• cenário de desidratação e estagnação do voto local (candidatos com domicílio eleitoral em Foz: para deputado estadual, houve uma retração significativa após 2014; para federal, a queda tem sido contínua e acentuada ao longo de duas décadas;
• crescimento acelerado de candidatos externos: a votação em nomes de fora triplicou para o cargo estadual e saltou de 18,6 mil para quase 70 mil para federal, sendo:
deputado estadual: a votação em candidatos externos subiu da faixa histórica de 13 mil votos (2002–2010) para cerca de 39 mil a 40 mil votos nas duas últimas eleições;
deputado federal: ocorreu forte transferência de votos para candidatos externos, saltando de 18,6 mil votos (2002) para 69,8 mil votos (2022).
• inversão histórica (2022): o marco em que candidatos de fora obtiveram mais votos federais na cidade do que os candidatos residentes em Foz;
• comportamento do eleitorado: o índice de votos não nominais (abstenção, brancos e nulos) permanece elevado, variando entre 29% e 39% do total de eleitores;
• tendência e riscos para 2026: embora Kossar projete a recuperação parcial do voto local, a cidade enfrenta o risco de não eleger representantes diretos devido ao elevado número de candidatos da cidade, o que fragmenta a votação e beneficia nomes com bases em outras regiões.

