Corrupção da polícia no Paraguai favorece ação do tráfico, diz governador

Momento de pânico na plateia, quando começa o tiroteio: dois mortos e cinco feridos. Foto Reprodução

O caso do tiroteio no festival de música em San Bernardino tem todos os ingredientes para provar isto.

O governador do departamento de Amambay, Ronald Acevedo, confirmou que José Luis Bogado Quevedo, um dos feridos no ataque a tiros no festival de música de San Bernardino, é seu sobrinho e há muito tempo se dedica ao tráfico.

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“Ele estava foragido e tinha antecedentes”, disse à rádio 780 AM, conforme reproduziu o jornal La Nación.

Para o governador, as pessoas que fazem parte do crime organizado são bem preparadas, contam com bons advogados e têm apoio de infiltrados até na Polícia Nacional.

O caso de um policial ter apagado os antecedentes de seu sobrinho é uma clara demonstração da cumplicidade policial e das ramificações do narcotráfico em diferentes esferas, inclusive judicial, porque têm muito poder e dinheiro, completou o governador.

“POR ENGANO”

Ainda segundo La Nación, o chefe de Prevenção da Polícia Nacional de Ñeembucú, Ricardo Leguizamón, disse nesta terça-feira, 1, que o sub-oficial Ramón Vargas Espinoza está à disposição de Assuntos Internos, depois de confessar ter apagado a ordem de prisão contra Bogado Quevedo.

O suboficial fez isto em março do ano passado, mas afirmou que foi “por engano”, confundindo o traficante com outro homem, que devia pensão alimentar.

No tiroteio em que o acusado de tráfico foi ferido, morreu outro suspeito, Marcos Ignacio Rojas Mora, e também – “efeito colateral” do ataque- a modelo e influencer Cristina “Vita” Aranda, mulher do jogador Iván Torres e mãe de três filhos.

Entre os feridos, além de Bogado Quevedo, com pedido de extradição ao Brasil por liderar uma quadrilha de traficantes de armas e drogas, estão Marcelo Monteggia, José Ruiz, Daniela Barrientos e Sadi Bonzi, todos fora de perigo.

IDENTIDADE BRASILEIRA

O promotor Federico Delfino informou que José Luis Bogado Quevedo, procurado por tráfico no Brasil, com 30 processos abertos contra ele, atuava como empresário na criação de gado do Paraguai, conforme o jornal Última Hora.

Ele utilizava no Paraguai uma identidade falsa, onde constava como brasileiro, com o nome de José Bogado González. No Paraguai, não havia nenhum processo contra ele.

Bogado Quevedo seria o alvo principal dos criminosos. Mas há outros ligados ao grupo dele, como Marcos Ignacio Rojas Mora, também acusado de tráfico de armas e drogas, vítima fatal do tiroteio.

A promotora Angélica Insaurralde disse que Bogado era o objetivo principal, mas que alguns dos feridos também seriam parte do grupo dele, além da vítima fatal.

O RG falso de Bogado e outro ferido, também suspeito de participar da quadrilha.

CAMAROTE VIP

Os suspeitos de tráfico ficaram em camarote vip, no festival, e procuravam sempre fazer fotos com famosos presentes ao evento, entre eles Vita Aranda.

Quando ela concordou em fazer uma foto com Rojas Mora, ele foi abatido com oito tiros. Uma bala também acertou a cabeça da influencer.

Vita Aranda: hora errada, local errado. O azar de ser famosa, naquele momento.

A BOLÍVIA

Manuel Doldán, promotor de Assuntos Internacionais do Ministério Público, disse que o Paraguai está esperando que a Bolívia envie um pedido de prisão para Marcelo Eladio Monteggia Díaz, um dos feridos no atentado praticado no festival de San Bernardino, informa o ABC Color.

Segundo o promotor, há um caso contra Monteggia Díaz, mas falta um elemento formal, que seria responsabilidade da Bolívia, para a prisão preventiva por mais de 24 horas.

Marcelo Monteggia tem antecedentes criminais e um possível vínculo com um homicídio em 12 de fevereiro de 2012, quando foi morto o brasileiro Daniel Alcides Maidana (37).

Segundo o Tribunal de Sentença de Santa Cruz de la Sierra, da Bolívia, o grupo integrado por Monteggia interceptou o veículo do brasileiro e, depois de breve conversa, um deles apontou uma arma e atirou diversas vezes contra Maidana, para rouber dele US$ 100.000.

CORRUPÇÃO

O jornal Última Hora também acusa a corrupção policial pela ação de assassinos de aluguel, que só em janeiro fizeram 27 ataques no Paraguai, com 30 mortos. Foi um mês recorde neste tipo de crime. O anterior foi em outubro do ano passado, com 23 casos.

Os departamentos de Concepción e Amambay (fronteira com Mato Grosso do Sul) são os que registraram a maioria dos casos, mas o jornal lembra que “a indústria está se expandindo a outras regiões do país”.

Os traficantes da fronteira, inclusive brasileiros, estariam se preparando para se fixar em San Bernardino. Foi provavelmente por causa disso que foram alvo de atentado por outros traficantes.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.