A crueldade praticada no transporte de animais vivos foi debatida, nesta segunda-feira, 13, em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa (Alep). Com o tema “Combate à Exportação de Animais Vivos e Exploração Animal”, o encontro reuniu professores, pesquisadores e representantes de organizações da causa animal.
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Na audiência, foi debatida a crueldade à qual rebanhos inteiros são submetidos em longas travessias marítimas, tendo como destino prioritário a costa africana e países do Oriente Médio.
Propositor do encontro, o deputado Goura (PDT) diz que a iniciativa visa a impedir que o Paraná se torne um ponto de partida para esse tipo de prática, na qual os animais passam por condições degradantes.
Para ele, o debate é importante, porque é preciso parar de olhar os animais como objetos que não têm sentimentos, que não sentem dor. O parlamentar ainda lembrou que há um projeto de lei sendo debatido que proíbe a exportação de animais vivos nos portos do Paraná.
Segundo o deputado, tal prática é eminentemente cruel e provoca muito sofrimento animal. Apesar de atualmente não ocorrer no estado do Paraná, esse tipo de exportação ocorre em São Paulo, no Pará e em outros portos.
O deputado é autor do Projeto de Lei n.º 186/2024, que “proíbe o embarque de animais vivos no transporte marítimo nos portos do estado do Paraná, com a finalidade de abate para consumo”.
Brasil é maior exportador de bovinos vivos
Diretor de Relações Governamentais da Mercy for Animals, organização mundial que há 25 anos combate práticas cruéis nos sistemas alimentares, George Sturaro informa que o Brasil se tornou recentemente o maior exportador de bovinos vivos do mundo.
No ano passado, o país rompeu a marca de um milhão de animais exportados e ultrapassou a Austrália, até então o maior exportador e principal concorrente do Brasil.
Segundo ele, os animais exportados vivos pelo Brasil têm como destino, principalmente, os países do Norte da África e do Oriente Médio. A Turquia é o principal comprador, seguida do Egito.
“Há também outros países da região, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Argélia e Marrocos”, enumera. Sturaro ainda destaca que esses países importam animais vivos para engorda local e abate segundo suas regras religiosas.
(Com informações da assessoria de comunicação da Alep)


