Um edifício-piloto que combina soluções construtivas de baixa pegada de carbono, estratégias de conforto térmico e tecnologias voltadas à eficiência energética está prestes a ser finalizado na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).
A edificação segue o conceito Nearly Zero Energy Building (NZEB), ou edifício de energia quase zero, e será utilizada para testar soluções que possam contribuir para a redução do consumo de energia nas construções. A expectativa é de que o prédio, erguido no Campus Integração, seja aberto em novembro.
Chamada de Ombo’éva — “Quem ensina”, em guarani —, a construção é fruto de uma chamada pública do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), que buscou iniciativas capazes de aplicar o conceito de edifícios que produzem parte da energia necessária para o próprio consumo.
A pretensão da universidade é a de que o edifício funcione como um laboratório aberto a pesquisadores e visitantes. Durante os dois primeiros anos de atividades, diferentes tecnologias serão monitoradas para verificar se o desempenho previsto no projeto se confirma na prática.
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“É uma edificação-piloto, onde nós vamos testar tanto tecnologias passivas de condicionamento do ambiente quanto tecnologias ativas”, explica Katia Regina Garcia Punhagui, pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação e uma das idealizadoras da iniciativa.
Menor pegada de carbono
Um dos diferenciais do edifício é o uso do CLT (Cross Laminated Timber), sistema construtivo baseado em painéis de madeira laminada cruzada, tecnologia escolhida por apresentar “menor pegada de carbono” em comparação com sistemas construtivos convencionais e pela capacidade da madeira de armazenar carbono, de acordo com Katia.
Ela ainda informa que 50% do peso, ou seja, da massa seca, dos painéis que compõem a estrutura do prédio correspondem a carbono puro, “que fica estocado”.
Fatores bioclimáticos também estão presentes no projeto. Entre as soluções adotadas nesse quesito, a orientação para o Norte. “A gente observa que há aberturas superiores, que servem para ventilação higiênica. Por isso, quando não quisermos ventilar a parte inferior, poderemos deixá-la fechada e, se quisermos renovar o ar, abrimos só a parte superior”, relata o docente Egon Vettorazzi, outro dos idealizadores do projeto.
De acordo com ele, as aberturas superiores também servem para ventilação por efeito chaminé, ou seja, todo o ar quente das pessoas e dos equipamentos sobe e sai por cima da edificação.
A parte superior do prédio apresenta ainda uma grande abertura, voltada ao Sul, que permite a iluminação natural, mas com menor radiação solar. Além disso, Ombo’éva terá um pergolado para a colocação de vegetação cujas folhas caem no inverno. Com isso, haverá sombreamento no verão, época de altas temperaturas, e maior incidência de sol no inverno.
Projeto selecionado
O projeto do edifício foi idealizado por um grupo de professores e alunos e selecionado por meio do Edital Procel Edifica NZEB Brasil. Com a aprovação, a Unila recebeu, em 2020, um aporte financeiro de R$ 994 mil oriundos da então Eletrobras, instituição cujas funções foram atribuídas à ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional S.A.), após a privatização.
Em 2021, outro passo foi dado quando a equipe técnica da Prefeitura Universitária assumiu o projeto, iniciando tratativas com a Fundação Stemmer para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (FEESC). Juntas, as instituições assinaram um convênio em novembro de 2024, ocasião em que a Unila apresentou a contrapartida de R$ 947 mil, aprovada pelo Conselho Universitário em 2025.
(Com informações da assessoria de imprensa da Unila)

