Abstenções, votos nulos e brancos em Foz: os votos “perdidos” que podem decidir uma eleição

H2FOZ – Vacy Alvaro e Fabiano Severino

Ano 2020. Pandemia do novo coronavírus, eleições em novembro e descrédito na classe política. Muito tem se falado sobre a participação dos eleitores no próximo domingo, 15, Brasil afora. Em Foz do Iguaçu, 183.306 pessoas estão aptas ao voto, mas quantas dessas devem confirmar o dedo na urna? A resposta é complexa, mas a projeção certamente precisa considerar o histórico dos últimos pleitos municipais.

Em 2017, nas eleições suplementares, por exemplo, mais de 26 mil iguaçuenses aptos a votar não compareceram às urnas. As abstenções representaram 15,7% de todo o eleitorado, e somadas aos números de votos brancos e nulos (7.029 e 9.683, respectivamente) formaram um alto volume de votos com potencial para decidir um pleito.

Para se ter uma ideia, se somente estes “votos perdidos” fossem direcionados a um candidato, este ficaria na segunda colocação, com 25,74% da preferência dos eleitores, atrás apenas do candidato vencedor (o prefeito Chico Brasileiro), que teve 69.469 votos.

Nas acirradas eleições de 2012 esse impacto poderia ser ainda maior, já que a diferença entre Reni Pereira (PSB) e Chico Brasileiro (na época candidato do PC do B) foi de apenas 12.378 votos. Naquele ano, apenas o número de abstenções (35.679 eleitores) seria o suficiente para uma virada ou distanciada entre os dois.

Se o assunto é disputa para o cargo de vereador, em 2016 o número de abstenções (14.891) foi quase três vezes maior do que ao número de votos de Nanci Rafain Andreola (na época candidata do PDT), que liderou a disputa com 5192 votos.

Para este ano, o número de abstenções pode ser ainda maior em razão da pandemia e da possível ausência dos eleitores que pertencem ao grupo de risco.

Confira os gráficos da última eleição:

Eleições municipais x eleições majoritárias

Em Foz do Iguaçu, os números sugerem que as eleições municipais (disputa pelos cargos de prefeito e vereador) tendem a ter uma adesão maior do que as eleições majoritárias (quando são eleitos o presidente, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais).

Em 2012, nas eleições municipais as abstenções somaram 19%, mas subiram para quase 21% dois anos depois para as eleições majoritárias. Em 2016 tivemos a menor taxa de abstenções dos últimos anos, apenas 8,99%, que aumentou para 15,78% nas eleições suplementares (também municipais), mas em 2018 voltou a aumentar no primeiro e no segundo turno das eleições majoritárias, para 16,58% e 16,62% respectivamente.

Confira o gráfico:

 

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