Especismo: Burro, jumento, vaca…

O homem decide qual animal será sua companhia e qual seu alimento, e ainda empresa nome dos animais para usar como sinônimo de ofensa

Aida Franco de Lima – OPINIÃO

Mesmo as pessoas que dizem que amam os animais, mesmos os filósofos e pensadores mais bem embasados, quando querem expressar o quanto os humanos estão sendo estúpidos, que estão deixando de usar a inteligência, estes os ofendem com nomes de animais. O burro é o termo mais comum. Quem nunca xingou o outro de burro? E quando é para esculachar, os ‘sinônimos’, não param por aí: jumento, vaca, anta e por aí vai.. Isso também é especismo!

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Uso a palavra “especismo” para descrever a discriminação generalizada praticada pelo homem contra as outras espécies, e para traçar um paralelo com o racismo. Especismo e racismo são ambas formas de preconceito baseadas em aparências – se o outro indivíduo parece diferente, considera-se, então, que ele se encontra além do parâmetro moral, (…) Especismo e racismo (e na verdade sexismo), ignoram ou subestimam as semelhanças entre o discriminador e aqueles contra que este discrimina e ambas as formas de preconceito revelam indiferença pelos interesses de outros, e por seu sofrimento. (RYDER, C. apud FELIPE, 2008, p. 90)

Especismo, que é colocar a espécie humana acima de todas as demais. Um estuprador não é animal, ele e um humano estuprador. Um assassino não é selvagem, ele é um humano assassino. Um político incompetente não é burro, ele é um político incompetente. O homem ou a mulher não monogâmicos não são garanhões ou vacas, são humanos não monogâmicos.

Até mesmo quando você chama alguém de verme, está ignorando o papel desses no ciclo biológico. Enfim, se quer mesmo ofender alguém, chame o de qualquer adjetivo, menos de designações que os assemelhem a animais irracionais.

Prestem atenção nos seus vocabulários… Percebam em quantas situações já usaram os termos. Dia 14 de março é a data que marca o Dia Nacional dos Animais, uma data para lembrar do respeito a eles devido. Além de xingá-los, os exploramos como fonte de alimentos, trabalho, vestimentas e tudo mais que for possível e inimaginável para muitos. Animais são usados para transportar drogas, animais são vítimas de exploração sexual!

A liberdade, algo que o humano coloca para si com um princípio essencial, nem sempre é estendida aos animais
Mesmo que goste muito de animais, ainda assim os aprisionam .Foto: O amor que late

Definitivamente, os animais ditos não racionais não merecem ser comparados com os humanos. Quando alguém quer dizer que não foi digno de um tratamento, são muito comum a frase: “não se faz isso nem como animal” ou “tratado como animal”.

Desqualificar os animais, colocá-los abaixo do ser humano é ESPECISMO. Quando for descontar sua raiva, não desconte ofedendo os animais…

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Aida Franco de Lima

Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo da autora.