Prefeito de cidade paraguaia da fronteira é baleado por pistoleiros

José Carlos Acevedo, durante evento recente. Imagem: Prefeitura de Pedro Juan Caballero / Facebook

José Carlos Acevedo está entre a vida e a morte após sofrer atentado na área central de Pedro Juan Caballero.

Em mais um crime com as características das máfias de fronteira, o prefeito da cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, José Carlos Acevedo, foi baleado, na tarde de terça-feira (17), e levado em estado crítico a um hospital. Imagens de câmeras do entorno mostram homens armados descendo de um veículo e avançando em direção à vítima.

O ataque ocorreu em pleno Centro Cívico local, nas proximidades do Palácio de Justiça. Acevedo estava dentro do carro e foi atingido por sete tiros, sendo quatro na região do pescoço, dois no braço direito e um no braço esquerdo. Levado a um hospital particular, passou por três horas de cirurgia e segue entre a vida e a morte.

“Ao chegar ao hospital, sofreu uma parada cardíaca e foi reanimado com transfusões e outros auxílios”, descreve o jornal Última Hora. “Foi analisada a possibilidade de transferi-lo a um hospital na cidade de São Paulo, mas, pela gravidade do quadro, isso foi descartado e planeja-se levar especialistas ao Paraguai para ajudar no caso.”

Horas após o ataque, um veículo similar ao utilizado pelos três pistoleiros foi encontrado incendiado em uma área rural. Federico González, ministro do Interior, foi até Pedro Juan Caballero para coordenar os trabalhos de cerco policial. A hipótese de que os fugitivos tenham cruzado o limite em direção a Ponta Porã (MS) está sendo analisada.

Em declarações a emissoras de rádio, Carolina Yunis de Acevedo, cunhada de José Carlos e presidente da Câmara Municipal de Pedro Juan, relatou a existência de ameaças, abertas ou mais veladas. “As ameaças sempre foram constantes, isso é categórico. Mas assim, tão drasticamente, não”, afirmou.

Em fevereiro, José Carlos acusou a cúpula policial em Pedro Juan de receber propina para permitir a atuação de traficantes. Outro episódio recordado pela imprensa paraguaia ocorreu em outubro de 2021, quando o prefeito se desentendeu com familiares de um homem executado na região.

A família Acevedo é um tradicional clã político da fronteira seca entre Paraguai e Brasil, no Mato Grosso do Sul, com os irmãos Robert, Ronald e José Carlos ocupando diferentes cargos no poder público local. Robert, que chegou a presidir o Congresso Nacional paraguaio, faleceu em 2021, aos 55 anos, infectado pelo novo coronavírus.

Histórico

De acordo com o jornal ABC Color, este é o quinto atentado que tem como alvo integrantes da família Acevedo. O primeiro foi em 26 de abril de 2010, quando atiradores dispararam contra a caminhonete do então senador Robert Acevedo, que sobreviveu após ser atingido por dois tiros. O motorista e um segurança faleceram.

Em setembro de 2016, desconhecidos lançaram explosivos contra o estúdio da Radio Amambay, pertencente à família. A radialista Patricia Ayala e um entrevistado ficaram feridos. O terceiro ataque foi em agosto de 2018, quando um segurança de Robert foi morto como “aviso” ao parlamentar.

Em 9 de outubro de 2021, por sua vez, Haylee Acevedo, filha do governador de Amambay, Ronald, foi morta por atiradores ao sair de uma danceteria em Pedro Juan Caballero. Outras três pessoas, amigas da jovem, também faleceram no atentado.

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Guilherme Wojciechowski - H2FOZ

Guilherme Wojciechowski é repórter colaborador do H2FOZ. E-mail: [email protected] - Veja mais mais conteúdo do autor.

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