Tape’ỹ, “aquele que perdeu o caminho”, na tradução do tupi. Esse é o nome que recebeu a onça-pintada que circulou por ruas e casas da região de Três Lagoas, em Foz do Iguaçu, nesse fim de semana.
A operação de resgate recolheu o animal com segurança em uma residência no Jardim Cedro na manhã desse domingo, 28. Ele havia sido avistado no dia anterior, registrado por câmeras de ruas e de moradias.
Conforme os técnicos do Onças do Iguaçu, projeto que atua em prol da conservação do maior felino das Américas, há mais de 20 anos não ocorrem registros confirmados de onças-pintadas na área do lago de Itaipu. Essa seria uma das hipóteses para o habitat de Tape’ỹ. Mas os especialistas advertem: “Ainda não é possível determinar de onde esse animal veio nem quais fatores o levaram a percorrer uma área urbana.”
A onça é um macho adulto, com idade estimada entre 4 e 5 anos e peso de 75 quilos. A captura mobilizou equipes do Onças do Iguaçu, Proyecto Yaguareté (Argentina), Parque Nacional do Iguaçu/ICMBio, Refúgio Biológico Bela Vista, da Itaipu Binacional, Polícia Ambiental e Polícia Militar.
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Os técnicos também constataram que Tape’ỹ não corresponde a nenhuma das onças monitoradas pelo Onças do Iguaçu, confirmando tratar-se de um indivíduo até então desconhecido pelo projeto.
Onça em Foz
O primeiro registro da onça ocorreu na manhã de sábado, quando câmeras de segurança flagraram o animal caminhando por ruas do bairro Três Lagoas. Acionados, técnicos do Projeto Onças do Iguaçu confirmaram, por meio de rastros e pegadas, que o animal havia circulado próximo a residências antes de retornar para um fragmento florestal às margens do lago de Itaipu.
Como medida preventiva, equipes do Refúgio Biológico Bela Vista instalaram armadilhas fotográficas para monitorar a movimentação do felino. Durante todo o sábado, não houve novos registros, indicando que ele permanecia na mata, conforme o Onças do Iguaçu.
Na manhã desse domingo, por volta das 6h30, moradores voltaram a acionar as equipes após registrarem, em vídeo, a onça na varanda de uma residência. Imediatamente foi iniciada a operação de resgate. A área foi isolada para garantir a segurança da população e do próprio animal.
Resgate e cuidados
Após ser sedado por uma equipe veterinária especializada, Tape’ỹ foi colocado em uma caixa de transporte e levado ao Hospital Veterinário do Refúgio Biológico Bela Vista, onde passou por avaliação clínica completa.
Durante os exames, foram coletadas amostras de sangue e outros materiais biológicos para análises laboratoriais, além de realizadas radiografias. Os veterinários identificaram uma extensa laceração no dorso do animal, que recebeu tratamento imediato.
Nos próximos dias, os resultados dos exames laboratoriais irão subsidiar a definição técnica sobre o destino mais adequado para o felino.
Apoio da população
O sucesso da operação foi atribuído à atuação integrada das instituições brasileiras e argentinas e à colaboração da população. Em vez de reagirem contra o animal, os moradores acionaram imediatamente as equipes especializadas, permitindo que o resgate ocorresse de forma segura e garantindo uma nova oportunidade de vida para Tape’ỹ.

