As balas que as crianças não merecem

As conhecidas balas perdidas encontram as crianças e ceifam vidas e sonhos.

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Aida Franco de Lima – OPINIÃO

Balas e crianças sempre combinaram. Alegria, doçura, sorrisos… Mas no Rio de Janeiro, um outro tipo de bala tem estado no caminho das crianças. As balas já encontraram 16 crianças com até 14 anos, sendo que 12 delas foram vítimas de balas perdidas.

O termo balas perdidas é bastante questionável, porque infelizmente elas são encontradas nos corpos de crianças. Como ocorreu com Eloah da Silva dos Santos, de apenas 5 anos, que morreu enquanto brincava dentro do quarto de sua casa. Foi no dia 12, na Ilha do Governador.

O mais triste disso tudo é que Eloah, como os demais, fazem parte de uma estatística cujos gráficos sinalizam para o alto e mostram que tal violência impera nas regiões periféricas.

Parece mesmo que a sociedade está anestesiada diante de tanta violência, e cabe somente aos familiares e amigos a dor da perda, a indignação e a revolta por mais uma criança vítima de tamanha brutalidade.

As histórias sempre se repetem. As balas são disparadas por conta de confronto entre polícia e bandidos, troca de tiros entre quadrilhas, disputa por pontos de venda de drogas. Depois, começa um processo para investigar de onde partiu a bala, de qual arma, quem teria feito o disparo. Mal teve fim o processo de investigação, surge outra vítima.

As balas disparadas, que encontram vítimas inocentes, apenas refletem a violência social em que determinadas regiões do Brasil estão ainda mais mergulhadas que outras.

Além das investigações de praxe, as autoridades deveriam ir além. E a própria mídia também cobrar a respeito de quais as outras políticas públicas estão sendo implementadas para prevenir esse tipo de situação. Quais medidas práticas estão sendo implantadas para que as balas perdidas não encontrem mais vítimas?

Não há como negar que se as vítimas morassem em bairros nobres ou tivessem sobrenomes famosos haveria um outro entendimento a respeito da urgência da situação. Como sempre acontece, a corda arrebenta do lado mais fraco – e esse lado é de quem tem menos poder aquisitivo, quem normalmente não consegue deixar as regiões mais violentas para residir em áreas mais seguras.

Se as crianças estão nas estatísticas, é sinal de que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) parece não estar sendo posto em prática, pois é ele quem assegura que o Estado deve criar políticas públicas para garantir a segurança necessária para crianças e adolescentes.

Estamos falando de crimes recorrentes em um cenário no qual as crianças transitam de um lado ao outro, e alguém poderia até dizer que foi alguém que estava no lugar errado, na hora errada. Mas e quando esse alguém é uma criança brincando em cima da cama? Até quando vamos aceitar o que inaceitável?

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