Polícia Nacional e Ministério Público do Paraguai estão investigando a participação de bandidos brasileiros no grande assalto ocorrido em Santa Rita, a 70 quilômetros da fronteira com Foz do Iguaçu, na madrugada de terça-feira (16).
O crime provocou pânico entre os moradores da pequena cidade, fundada por agricultores de origem brasileira na década de 1970.
Por volta da 1h30, um grupo fortemente armado atacou as agências dos bancos Familiar, GNB e ueno, bem como a casa de câmbio Santa Rita. Agentes da Polícia Nacional do Paraguai perceberam a ação e tentaram dar resposta, porém foram repelidos.
Como resultado da ação, os assaltantes conseguiram explodir e invadir os cofres de duas das três agências bancárias, fugindo com quantia ainda não confirmada. Na fuga, incendiaram veículos e espalharam dispositivos para furar os pneus das viaturas.
Leia também:
Grande assalto em Santa Rita no Paraguai: veja fotos e vídeos
César Silguero, comandante da Polícia Nacional do Paraguai, desembarcou em Santa Rita no início da tarde para supervisionar as tarefas de campo.
De acordo com Silguero, a corporação contava com um aviso sobre possível crime de grande magnitude na Região Leste do Paraguai.
“Cerca de 22 dias atrás, recebemos informação sobre a possibilidade de algum ataque contra transportadoras de valores no Alto Paraná. Adotamos medidas preventivas, mas não havia elemento concreto que permitisse determinar o alvo”, afirmou.
Sobre o crime em Santa Rita, a máxima autoridade policial do Paraguai disse que a participação de agentes (da ativa ou da reserva) está sob investigação. A quadrilha também estaria composta por criminosos procedentes do Brasil.
“Estamos falando de um grupo criminoso numeroso, com recursos e financiamento. Agora, estamos tratando de identificar os responsáveis e reunir todas as evidências necessárias”, indicou.
Participação do PCC?
Embora as autoridades do Paraguai tenham evitado identificar suspeitos, a imprensa do país veiculou, ao longo do dia, que um brasileiro de apelido “Bocão”, especialista em explosivos, estaria entre os mentores do assalto em Santa Rita.
Rocío González, promotora do Ministério Público do Paraguai, confirmou que testemunhas ouviram diálogos em espanhol e português durante a ação. A quadrilha, conforme González, estaria vinculada a outros assaltos no país, como na vizinha Naranjal.
A participação de organizações brasileiras presentes no país, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), está no radar dos investigadores. O Comando Tripartite, que reúne as corporações policiais dos três países da fronteira, dá suporte às apurações.
Imóveis danificados
O uso de explosivos para invadir o cofre do Banco Familiar provocou danos em pelo menos uma residência vizinha, colocando em risco a vida dos moradores.
Ao jornal ABC Color, um homem de 35 anos, que vive no local, contou os momentos de pânico para tirar a família do imóvel após a primeira explosão. Não bastasse o apuro, o morador ainda precisou prestar esclarecimentos à Polícia Nacional do Paraguai.
“Fiquei quase quatro horas detido, mas o mais importante é que os meus filhos estão vivos. O prejuízo material eu posso recuperar. Depois de ver tudo o que aconteceu aqui, posso dizer que vivi um milagre”, relatou.


