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Por que a Itaipu Paraguai não migra o pessoal de Assunção para "cá"?

Cláudio Dalla Benetta

Economia de recursos, todo o corpo funcional na cidade-sede da usina, redução de gastos com passagens, diárias, etc, etc.

Argumentos fortes que levaram o diretor-geral brasileiro, Joaquim Silva e Luna, a decidir pelo fechamento do escritório da Itaipu em Curitiba e migrar os cerca de 150 empregados para as instalações de Foz do Iguaçu.

É uma medida acertada, em que pese o sacrifício imposto aos empregados da capital - que, por sinal, está previsto no contrato assinado com a binacional. Quando necessário, a usina pode remanejar o funcionário para um ou outro local de interesse empresarial.

Ela, a medida, se soma a outras que reduzem custos e remanejam gastos de convênios e patrocínios, por exemplo, para aquilo que se enquadra na missão ampliada da usina.

Ok, e no Paraguai? Tudo muda pra ficar sempre como está.

No lado paraguaio, Itaipu transferiu seu escritório na capital para um moderníssimo edifício, construído pela Cajubi (o fundo de previdência privada dos empregados de Itaipu, na margem de lá).

O prédio tem 17 andares e representou para a Cajubi um investimento de US$ 22 milhões (R$ 90 milhões!), sem contar os equipamentos e móveis. A Cajubi espera recuperar o vultoso investimento com o aluguel para Itaipu.

Os equipamentos do edificio incluem um sistema de climatização com volume de refrigeração variável, sensores de presença e seis elevadores, um deles para pessoas com dificuldade motora.

Antes da nova sede, a Itaipu paraguaia pagava de aluguel pelo uso de um prédio do fundo de previdência da Ande o equivalente a R$ 126 mil. Agora, para a Cajubi, o aluguel mais do que dobrou: R$ 260 mil mensais.

Mais do que o lado brasileiro está pagando pelo aluguel da Fibra, em Curitiba, que hoje está em R$ 208 mil. Esse contrato termina quando os últimos empregados estiverem em Foz, em 31 de janeiro de 2020.

Outros gastos

A Itaipu do Paraguai vai continuar, portanto, pagando passagens e diárias para viagens de Assunção a Hernandarias (sede da usina no Paraguai) e de Hernandarias a Assunção, gasto que se soma ao aluguel, de mais de R$ 3,1 milhões ao ano pela moderna sede.

Há voos diários entre Assunção e Ciudad del Este, mas o deslocamento aos aeroportos, tanto na capital como para Hernandarias, exige o uso de táxis, gasto que Itaipu cobre.

E, para os diretores (ou, ao menos, para o diretor-geral paraguaio, José Alberto Alderete), há uma mordomia a mais: a empresa mantém um jatinho, pra que ele não se submeta ao sacrifício de se locomover só nos horários dos voos programados. Este jatinho faz a rota Assunção=Hernandarias (e vice-versa), utilizando o Aeroporto Itaipu.

Não se sabe se, como antigamente, o diretor-geral paraguaio é recebido no aeroporto pelos demais diretores e empregados mais cacifados. Talvez não. 

De qualquer forma, vale a pergunta do título. Ao menos até 2023, quando os dois países vão acertar como ficarão as contas, as responsabilidades e a administração da energia de cada lado, seria vital que o Paraguai levasse a sério a austeridade que José Alberto Alderete disse que está em prática no lado dele.

Se é uma empresa só, embora pertença aos dois países, não pode haver disparidade de gestão. O dinheiro que entra, na maior parte, provém dos sofridos consumidores brasileiros, que pagam mais que os paraguaios por dois motivos: pelos benefícios concedidos pelo Brasil para usar a parte paraguaia de energia e porque os impostos no Paraguai para a eletricidade são muito mais baixos.  

Outro detalhe é que, se a Itaipu das duas margens funcionasse apenas aqui na fronteira, o assédio de políticos por cargos diminuiria bastante. Não é à toa que, no Paraguai, Itaipu emprega políticos e parentes deles de montão. Quase todos em Assunção. 

Fontes: Itaipu (Brasil), ABC Color e Última Hora

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