Com transformadores no limite, Foz entra na era dos apagões

Aumento do consumo e falta de investimentos na rede de distribuição acarretam prejuízos à população.

Apoie! Siga-nos no Google News

A combinação de mais calor, aumento do consumo e uma infraestrutura de distribuição de energia elétrica que não atende mais à demanda se tornou uma equação perigosa para os moradores de Foz do Iguaçu. 

Frequente desde o segundo semestre de 2023, a falta de energia em residências, escritórios e estabelecimentos comerciais não é exclusividade do período de verão. Em dias de temporais ou sem mesmo a ocorrência deles, há reclamações por todo lado.

Leia também:
Queda na qualidade do serviço é notória, dizem consumidores

Apesar de abrigar uma das maiores geradoras de energia do mundo, a Itaipu Binacional, a cidade entrou na rota dos apagões em razão da precarização da estrutura de distribuição, sob responsabilidade da Copel.

Professor do curso de Engenharia de Energia da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Walber Ferreira Braga diz que vários fatores estão associados às quedas de energia.

Nessa lista entram os recordes de calor registrados recentemente e a mudança no tipo de consumo, que vem aumentando em razão da necessidade maior de acionar aparelhos de ar condicionado.

“Tem aumento da demanda, mas a infraestrutura da Copel foi projetada para uma determinada demanda que cresceu e não atende à necessidade atual”, frisa.

Avaliação semelhante tem o diretor-presidente do Sindicato dos Eletricitários de Foz do Iguaçu (Sinefi), Paulo Henrique Guerra Zuchoski, conhecido por “PH”.

Segundo ele, os problemas que ocorrem na cidade são típicos de sobrecarga. “Houve um crescimento exponencial da demanda nos últimos anos, mas a Copel não suprimiu”, ressalta.

Para Zuchoski, o problema está nos transformadores das subestações. A carga de energia aumenta além do limite de suporte dos equipamentos, os quais não resistem por falta de investimentos. O Sinefi  representa funcionários da Copel, Furnas e Itaipu Binacional.

Ele menciona que os transformadores da rede estão operando no limite, tanto os que estão nas subestações quanto os das ruas. A solução, salienta, não é rápida por ser preciso recapacitar os equipamentos, e isso implica um custo alto.

Placas solares fazem aumentar consumo

A popularização das placas solares também é apontada como fator de sobrecarga na rede elétrica. Zuchoski explica que a energia gerada durante o dia pelas placas, quando há sol, faz o caminho contrário, ou seja, volta para o sistema e provoca a sobrecarga.

Outra questão relacionada às placas, também apontada pelo professor Braga, é o aumento do consumo de energia em razão do preço que fica mais em conta.

Placas solar em Foz do Iguaçu
Aumento da demanda de placa solar trambém faz crescer consumo de energia. Foto: Marcos Labanca/H2Foz


O excedente de chuvas e ventos fortes que passam de cem quilômetros por hora é mais um vilão da interrupção do fornecimento de energia. Quando há queda de árvores e plantas na rede elétrica, muitas vezes é necessário desligar a energia em uma determinada região para o problema ser resolvido, fato que impacta a vida da população.
Segundo Braga, é de responsabilidade da Copel manter a infraestrutura elétrica em dia, porém cabe ao município fazer podas e retirar árvores antigas que apresentem riscos.

Outra causa da falta de eletricidade podem ser os desligamentos programados. A Copel, explica Braga, faz manutenções rotineiras na rede e avisa quando isso vai ocorrer, porém muitas pessoas acabam esquecendo.

Conforme o professor, mesmo diante todas as reclamações, a Copel ainda é considerada uma das melhores distribuidoras do Brasil, onde a legislação é mais branda se comparada à da Europa, por exemplo.

Lá, são permitidas quedas e oscilações de energia durante minutos, e não horas, como no Brasil. “Na Europa pode faltar energia em determinado distribuidor por 45 minutos ao ano, por exemplo.”

LEIA TAMBÉM

Comentários estão fechados.