H2FOZ
Início » Saúde » Crise na saúde: superlotação leva Hospital Itamed a suspender atendimento no pronto-socorro

Saúde

População em risco

Crise na saúde: superlotação leva Hospital Itamed a suspender atendimento no pronto-socorro

Com hospitais superlotados, Foz do Iguaçu passa por uma crise crônica na saúde; Comus acionou Ministério Público

4 min de leitura
Crise na saúde: superlotação leva Hospital Itamed a suspender atendimento no pronto-socorro
Hospital Itamed faz cerca de 80% de seus atendimentos pelo SUS em Foz do Iguaçu. Foto: William Brisida/Itaipu Binacional

Se não bastasse a superlotação em leitos hospitalares, Foz do Iguaçu vive mais um gargalo na saúde: o esgotamento da capacidade operacional do pronto-socorro do Hospital Itamed.

A Fundação de Saúde Itaiguapy, que administra o Hospital Itamed, anunciou que suspendeu, na sexta-feira, 14, a admissão de pacientes no pronto-socorro até que seja restabelecida a capacidade operacional da unidade e regularizado o fluxo assistencial dos pacientes que já estão sendo cuidados.

Publicidade

Em nota, a entidade afirmou ter comunicado oficialmente a decisão à Secretaria Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu, à Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), à Central Estadual de Regulação e ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

Também solicitou, em caráter de urgência, a transferência dos pacientes que aguardam leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) e enfermaria, como também o redirecionamento de novos casos para unidades da rede com capacidade disponível.

Leia também: Contenção de recursos altera horário de 4 unidades de saúde em Foz

Com 16 leitos, o pronto-socorro do Hospital Itamed chegou a acomodar 21 pacientes no dia 15 de agosto à noite, o que representa 131,25% da capacidade de ocupação. Desse total, 16 pessoas esperavam leito de UTI, e quatro, leito de enfermaria. Esses pacientes estavam no pronto-socorro por indisponibilidade de retaguarda hospitalar.

A condição instala uma crise crônica no atendimento da saúde pública, que opera há meses no limite e preocupa os moradores. O Hospital Municipal Padre Germano Lauck também apresenta superlotação de leitos e no pronto-socorro, levando muitos pacientes a ficarem nos corredores ou nas unidades de pronto atendimento (UPAs) da cidade.

Superlotação do Municipal: gestão reativa não resolve crises reiteradas, diz Comus
Somente este ano, foram mais de 20 notificações de superlotação no HMPGL. Foto: Christian Rizzi/PMFI arquivo

Ciente da situação, o Conselho Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu (Comus) notificou o Ministério Público (MPPR) sobre a situação crítica dos hospitais Padre Germano Lauck e Itamed.

Publicidade

O presidente do Comus, Khalid Omairi, diz que o conselho vem insistindo, desde o início do ano, para que os órgãos competentes elaborem um plano de contingência para resolver o problema. “A gente foi até onde deu e estamos dizendo que o MP tem que olhar de perto a situação.”

Omairi ressalta que a superlotação das unidades afeta a dinâmica hospitalar da cidade e que os custos para transferir pacientes para outras cidades é alto. Ainda segundo ele, Foz do Iguaçu tem dois hospitais que poderiam absorver pacientes do SUS: o Cataratas e o Unimed.

Também lembra que, em situações de crise da dengue e doenças respiratórias, a Sesa chegou a contratar leitos de retaguarda, e esse papel cabe aos gestores da saúde.

No documento entregue ao MPPR, o Comus frisa que Já foram registrados mais de 20 comunicados de superlotação relacionados ao Hospital Municipal este ano, o que equivale a praticamente uma notificação por semana, fato que evidencia a natureza crítica e continuada do problema.

Superlotação tornou-se crônica

Em nota, o Hospital Municipal Padre Germano Lauck relatou haver 284 pacientes em atendimento na instituição, dos quais 62 no pronto-socorro. Em razão da elevada demanda e da ocupação dos leitos disponíveis, 19 pacientes estão temporariamente acomodados em leitos provisórios e permanecem assistidos e acompanhados pelas equipes do hospital enquanto aguardam a organização do fluxo para encaminhamento aos espaços adequados.

Ainda segundo a unidade hospitalar, devido ao atual cenário de elevada ocupação, todos os pacientes seguem recebendo assistência das equipes multiprofissionais da instituição, com atendimento realizado de acordo com os protocolos assistenciais e de segurança.

A instituição salienta que os dados de ocupação hospitalar são dinâmicos e podem sofrer alterações ao longo do dia, conforme a entrada de novos pacientes, altas hospitalares, transferências e processos regulatórios realizados continuamente. Também ressalta que a disponibilização de um leito após uma alta hospitalar envolve etapas essenciais de segurança, como higienização e preparação adequada do ambiente para receber um novo ocupante.

Newsletter

Cadastre-se na nossa newsletter e fique por dentro do que realmente importa.


    [cf7sr-recaptcha]

    Você lê o H2 diariamente?
    A partir de R$5,00 por mês. Cancele quando quiser.
    Denise Paro

    Denise Paro

    Denise Paro é jornalista pela UEL e doutoranda em Ciências Políticas e Relações Internacionais. Atua há mais de duas décadas nas Três Fronteiras e tem experiência em reportagens especias. E-mail: deniseparo@h2foz.com.br

    Deixe um comentário