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Ativista luta para cuidar de 87 jumentos. Saiba como ajudar

Jumentos são dóceis e inteligentes, mas sofrem todos os tipos de maldades e inclusive preconceito. Ativista faz por eles o que é obrigação do Estado.

4 min de leitura
Ativista luta para cuidar de 87 jumentos. Saiba como ajudar
Lar dos Pancinhas faz o serviço que é obrigação do Estado. Cuidar de animais jogados à própria sorte. Fotos: Lar dos Pancinhas

Aida Franco de Lima – OPINIÃO

Erica é uma mulher de “40 +” que poderia estar simplesmente curtindo as praias paradisíacas do Ceará, mas dedica sua vida ao cuidado de animais. Não são caramelos, nem gatinhos ou algum pet que virou moda. Ela cuida de jumentos. Sim, jumentos, o animal do qual as pessoas usam o nome para xingar alguém julgado com pouca inteligência ou em comparação com seu órgão sexual.

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Como toda protetora de animais, Erica se vê diante da árdua tarefa de carregar o mundo nas costas, assumir o papel que é obrigação do Estado e da sociedade. Sim, o texto da Constituição diz que todos os animais são tutelados pelo Estado. Que não importa se tem “dono” ou não. O governo, seja ele municipal, estadual ou federal, precisa fazer sua parte e cuidar. E quando nem um nem outro faz sua tarefa, lá vai dona Erica recolher mais um animal.

Conheci o trabalho de Erica pelas redes sociais e fiz uma grande reportagem contando a respeito de seu trabalho. Isso foi no ano de 2022, e ela tinha sob seus cuidados 47 jumentos. Passados quatro anos, o número cresceu para 87. Assim como o trabalho, as despesas, a responsabilidade e a estafa emocional e física.

Erica não tem ajuda do Estado. Só pode contar mesmo com ajuda das redes sociais, que é por onde ela recebe doações para cuidar dos animais. Além do trabalho com os bichos, cabe a ela dar visibilidade a esse trabalho, prestar contas, e a cada novo caixa as preocupações de sempre: se terá ração para os animais, se vai conseguir pagar aluguel e funcionários…

Com a matéria que fiz, muitos outros veículos de comunicação foram pautados e narraram a história de luta de Erica. No Instagram, sua conta tem 68,5 mil seguidores. Se cada um doasse R$ 1, Erica estaria despreocupada. Mas sabemos que não é assim que as coisas funcionam.

Sempre que vejo os vídeos de Erica, fico pensando que cuidar dos animais, mostrar o seu sofrimento, não gera tanto engajamento. As pessoas se compadecem, ficam com dó, porém rolam a tela rapidinho. Querem algo mais fofo, como uma alpaca. Não viu ainda uma alpaca? Parece com uma lhama, animal oriundo do Peru, Bolívia e Chile, e custa por baixo R$ 20 mil.

Os animais de que Erica cuida chegam por meio de resgates, traumatizados pela maldade humana. As pessoas a acionam pela internet, pedem socorro, pois não é qualquer pessoa que consegue e sabe cuidar de animal de grande porte. Depois do resgate, a responsabilidade fica toda para ela.

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Os jumentos carregaram o Brasil no lombo. Com o passar do tempo e o avanço da mecanização, tanto no campo como na cidade, esses animais ficaram “fora de moda”. Abandonados à própria sorte, viraram alvo também da exploração de frigoríficos, que lucram com a exportação de colágeno.

Erica deixou São Paulo e foi para Fortaleza em 2016. No ano de 2022, fundou o Lar dos Pancinhas. Ela entrou na luta em defesa dos jumentos depois que viu uma jumenta e o filhote comendo lixo. Recentemente, fez um desabafo em seu Instagram.

A protetora faz um serviço que é obrigação do Estado e não tem reconhecimento por isso. Enquanto nas mídias vemos diariamente operações da Polícia Federal e homens públicos sendo presos por desvio de dinheiro, lá está Erica desviando-se das inúmeras dificuldades encontradas pelo caminho. Conheça a história dela e de tantos outros ativistas e ajude como puder. Inclusive compartilhando as informações, para que a mensagem chegue a mais pessoas.

Gente que se entrega de corpo e alma para causas como a dela deveria ser de fato chamada e reconhecida como influenciadora, recebendo do governo o mínimo de atenção e apoio.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

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    Aida Franco de Lima

    Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente.

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