Com plano de manejo no papel, Foz sofre com quedas de árvores  

Plantios feitos sem planejamento e com espécies inadequadas causam problemas na atualidade; cortes aumentam calor na cidade.

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A inexistência de um plano de manejo e as podas incorretas contribuem, cada vez mais, para a queda de árvores em Foz do Iguaçu durante tempestades. Com árvores plantadas há cerca de quatro décadas, a área central é uma das regiões mais atingidas.

Foz do Iguaçu tem hoje cerca de 125 mil árvores no perímetro urbano. Porém, boa parte foi plantada sem planejamento e manejo, e muitas são inadequadas às calçadas.

Bióloga e professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Luciana Ribeiro elenca uma série de irregularidades quanto ao cuidado com as árvores em Foz do Iguaçu. A começar pela ausência do plano e de ações de manejo, que resulta em podas malfeitas.

Ela explica que não se deve cortar mais do que um terço da copa ao fazer a poda, para manter a arquitetura das árvores. Também não se pode cortar a árvore apenas de um lado ou tirar galhos para desviar fios, deixando a espécie em forma da Y. “Isso desequilibra a árvore. Ela vai tentar compensar com a raiz, crescendo para outro lado. Por não ter espaço, fica toda torta e desequilibrada, facilitando a queda”, ressalta.

A professora também frisa que o ângulo de corte das árvores predispõe a entrada de fungos e insetos oportunistas, que levam as árvores a ficarem doentes e apodrecerem. Ainda em relação às podas, esclarece, não se deve cortar troncos grossos, apenas galhos mais finos e secos.

O local de plantio das espécies também é importante. Há árvores específicas para serem plantadas em praças e calçadas. Aquelas de menor porte e tronco mais denso são ideais para calçadas.

Árvores antigas

Membro do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comafi), Jorge Pegoraro diz que o Plano de Manejo de Foz do Iguaçu está sendo atualizado e deve ser lançado para licitação em 2024.

O manejo vai possibilitar que se faça um diagnóstico das árvores existentes na cidade e um prognóstico. O trabalho será terceirizado.

A partir do manejo, segundo Pegoraro, será possível definir a melhor espécie a ser plantada em caso de quedas. Ele informa que vários fatores contribuem para árvores caírem. A escolha das espécies conforme o local também é importante.

“Às vezes, a espécie não é indicada para determinados locais”, realça. O guarapuvu, por exemplo, que é uma árvore alta e bonita, da Mata Atlântica, é mais adequado para parques, reservas e espaços grandes, menciona Pegoraro. A composição da árvore é muito frágil, e os seus galhos caem com facilidade.

Outra árvore comum em Foz é a tipuana. Algumas já têm 20 anos, e outras chegam até 40. Adultas e velhas, sofrem bastante com a ação do vento. Exemplares dessa espécie podem ser vistos na Avenida Pedro Basso.  

Outro problema crônico, aponta Pegoraro, é o corte de raízes de árvores quando são construídas calçadas. As raízes, explica, muitas vezes são cortadas para que se faça um calçamento mais regular, mas isso acaba prejudicando as árvores em casos de ventania.

Árvore caída na Avenida Paraná em Foz
Em dezembro, uma árvore caiu na Avenida Paraná e atingiu comércio e veículos. Foto: Denise Paro

Menos árvores, mais calor

Com cortes indiscriminados e quedas de árvores, a tendência é de que o calor aumente no perímetro urbano da cidade. Quanto mais bosques e árvores, menos calor. Uma pesquisa realizada pela Embrapa Florestas, em Curitiba, apontou significativa redução da temperatura média do ano de até 4°C no Bosque Reinhard Maack.

O resultado evidencia a importância dos remanescentes florestais urbanos para o enfrentamento de mudanças climáticas, aponta a Embrapa, considerando as altas emissões de gases de efeito estufa nas cidades.

O Bosque Reinhard é um remanescente de floresta ombrófila mista (FOM), conhecido também por floresta com araucária ou pinheiral. Fica ao sul de Curitiba. O estudo da Embrapa foi feito durante três anos. Foram monitoradas temperaturas em quatro locais do bosque, entre abril de 2019 e junho de 2022.

A partir do estudo, é possível concluir que mais áreas verdes podem multiplicar o efeito de arrefecimento da temperatura em escala local, indicam os pesquisadores. Com isso, a Embrapa salienta a necessidade de aplicação de políticas públicas voltadas para ampliação e conservação de espaços verdes em áreas urbanas.

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