Desafios do desenvolvimento: Foz do Iguaçu perde população em idade ativa, afirma matemático

O município viu reduzir 11 mil alunos entre 5 e 17 anos, em pouco mais de uma década, cita; crianças e adolescentes acompanhariam pais que mudam de cidade.

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Matemático, professor e sociólogo, Luiz Carlos Kossar afirma que Foz do Iguaçu vive um estágio de estagnação em relação à Região Oeste ou no comparativo com localidades do Paraguai. E que o Produto Interno Bruto (PIB), com a Itaipu Binacional incluída, é uma conta meramente contábil, não refletindo a economia real da cidade.

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Para ele, o número da população de Foz do Iguaçu, fixado em 285 mil habitantes pelo Censo do IBGE de 2022, seria um demonstrativo do que vem apontando nos últimos anos. Agora, para reforçar a sua tese, recorreu a dados oficiais que revelam a queda de matrículas na rede de ensino em Foz do Iguaçu. O pesquisador reafirma que a cidade patina em termos de oportunidades e crescimento, carecendo de políticas públicas eficazes.

Em seu levantamento, Kossar mencionou que, no período de catorze anos, de 2010 a 2023, Foz do Iguaçu deixou de matricular 11.477 alunos na faixa etária de 5 a 17 anos, o que corresponde aos ensinos fundamental e médio. Esse dado a coloca nas três últimas posições entre os 399 municípios do Paraná.

Quadro de matrículas na rede de ensino em Foz do Iguaçu, de 2010 a 2023:

Quadro elaborado por Luiz Carlos Kossar


Esse número, de queda superior a 11 mil discentes, é maior do que a população total de 228 municípios do estado, contabilizou. Para chegar ao demonstrativo, o matemático reuniu indicadores do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), que é vinculado ao governo, abrangendo as redes municipal, particular e estadual.

“O desenvolvimento socioeconômico de uma cidade é diretamente proporcional ao seu nível de desenvolvimento educacional”, avaliou. “Esses dados, referentes às matrículas no fundamental e médio, demonstram que Foz do Iguaçu vem perdendo população em idade ativa, pois as pessoas de 5 a 17 anos acompanham os seus pais”, refletiu.

A partir de seu demonstrativo, Luiz Carlos Kossar oferece, ainda, conclusões como:

  • os números referentes ao ensino privado fundamental e médio deixam Foz do Iguaçu na 399.ª posição entre as 399 cidades paranaenses;
  • os indicadores de ensino superior mantêm o município iguaçuense no 53.º lugar entre 55 que oferecem a modalidade no Paraná.

O matemático, que há anos acompanha os aspectos sociais, econômicos e políticos de Foz do Iguaçu, é rigoroso ao afirmar que a cidade enfrentaria uma espécie de “êxodo” populacional, com pessoas recorrendo a outras cidades em busca de emprego e melhores oportunidades.

Os diversos dados socioeconômicos compilados de órgãos oficiais, afirmou, juntamente com os indicadores que mostram a redução de 11 mil estudantes, “demonstram a fragilidade da economia de cidade”, concluiu. Diversificar a matriz econômica é o caminho, apontou, para que a cidade não dependa do que chama de “turismo de feriadões”, e também se voltar para interagir com as cidades da região que estão em pleno crescimento.

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