Setembro começou mal. Paraguai tem média diária de casos e mortes superior à de agosto

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

O Paraguai registrou 4.824 casos confirmados de covid-19 nos primeiros seis dias de setembro (até o domingo, dia 6). A média é de 804 por dia, superior à média diária de agosto, de 397,5 casos, até então o pior mês da pandemia no Paraguai.

Neste mesmo período, houve também o registro de 109 mortes por covid-19, uma média de 18,1 óbitos por dia. Esta média é o dobro da registrada nos 31 dias de agosto (9 mortes/dia).

Agora, os totais no Paraguai são de 22.486 casos confirmados desde março e 435 mortes. Os recuperados somam 11.133, ou menos da metade dos casos (49,5%), o que mostra as dificuldades que o setor de saúde enfrenta no Paraguai, com falta de pessoal especializado e equipamentos.

No Brasil, embora nem dê pra comparar mesmo proporcionalmente, já que no País a letalidde é muito mais alta que no Paraguai, o índice de recuperação é de 80,1%.

Situação tende a piorar

As próprias autoridades de Saúde do Paraguai reconhecem que setembro será ainda pior que agosto, assim como o mês passado foi pior que julho.

Se forem mantidas as médias destes primeiros dias de setembro, o mês pode fechar com cerca de 24 mil casos e 550 mortes. Somados aos números até agosto, o Paraguai teria, então, o total de mais de 41 mil casos e  quase 880 óbitos.

Paraguai no ranking

Até o final de junho, o Paraguai mal aparecia no ranking dos países com casos e mortes por covid-19. Chegou a ser o menos infectado da América do Sul e com menos mortes pela doença.

Agora, no entanto, os 22.486 casos acumulados já colocam o Paraguai à frente de países como a Coreia do Sul (21.296) e bem distante de países latinos como Cuba (4.309), que tem população uma vez e meia maior. Os casos são ainda 13 vezes maiores que os registrados no Uruguai (1.679), cuja população é pouco menos da metade da paraguaia.

Com 435 mortes, o Paraguai superou a Venezuela (428), a Coreia do Sul (336) e Cuba (101), países que até julho estavam na frente no ranking mundial. Em relação ao Uruguai, a proporção é quase 10 vezes maior (lá, são 45).

A médica que usa foto no jaleco

Chefe da terapia faz brincadeira e passa boas mensagens aos pacientes na UTI.

A médica paraguaia Zulmi Aranda Scarpellini, chefe da sala de terapia do Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, achou um jeito de mostrar quem era que atendia uma paciente sua conhecida. Colocou no jaleco sua foto, como conta um press-release do Ministério de Saúde Pública do Paraguai

“Pode chegar a assustar muito quando uma pessoa desperta na terapia e se encontra rodeada de todos os profissionais vestidos de astronauta. Então, coloquei a foto no traje e lhe disse que 'essa sou eu', assim veem um rosto e confiam em mim”, explicou a médica.

Depois de explicar quem era, a médica disse ao paciente que ele iria dormir. “Mas confie em mim, que você vai despertar outra vez, com a ajuda de Deus”.

O paciente ficou com assistência respiratória por 8 dias, e depois de 12 dias teve alta.

A dra. Zulmi diz que, com seus pacientes, usa mensagens de estímulo, brincadeiras e evita entrar em assuntos polêmicos, para que fiquem mais tranquilos.

Dá certo. Até agora, sete pessoas ficaram internadas no Hospital Regional de Pedro Juan Caballero. Uma delas morreu, mas as outras seis tiveram alta.

Veja agora os números do Brasil

Letalidade no Brasil permanece em 3,1%. Foto Peter Illiclev/Fiocruz

Já que falamos do Paraguai, por ser nosso vizinho de fronteira e termos comparado rapidamente com a situação no Brasil, vamos agora ver como estão os casos e mortes no nosso país.

Segundo o Ministério da Saúde, o número de mortes por covid-19 subiu para 126.650, no domingo, 6. Nas 24 horas anteriores haviam sido foram registrados 447 novos óbitos e havia ainda outros 2.475 em investigação, de acordo com a Agência Brasil.

O Ministério da Saúde informou que, desde o início da pandemia, 4.137.521 pessoas foram infectadas com o coronavírus.

O total de casos é menor aos domingos e nas segundas-feiras pelas limitações de alimentação de dados pelas equipes das secretarias de Saúde. Nas terças-feiras, o número tem sido usualmente maior com o envio dos dados acumulados do fim de semana.

Ainda de acordo com a atualização, 693.644 pessoas estão em acompanhamento e 3.317.227 pacientes já se recuperaram.

A letalidade (número de mortes dentro do conjunto de infectados) se manteve em 3,1%. A mortalidade (óbitos pela população) ficou em 60,3. Já a incidência (total de casos em relação à população) subiu para 1968,9.

Ranking dos estados

Os estados com mais registros de morte pela covid-19 são, pela ordem, São Paulo (31.353), Rio de Janeiro (16.568), Ceará (8.565), Pernambuco (7.702) e Pará (6.249).

As unidades da Federação com menos vidas perdidas até o momento são Roraima (598), Acre (624), Amapá (672), Tocantins (748) e Mato Grosso do Sul (966).

Em número de casos, São Paulo também lidera (855.722), seguido de Bahia (271.225), Minas Gerais (234.804), Rio de Janeiro (232.818) e Ceará (222.372). A novidade é Minas Gerais, que passou a ser o terceiro entre os estados com mais casos, superando o Rio de Janeiro, que ficou durante meses nessa posição.

As unidades da Federação com menos pessoas infectadas são Acre (25.443), Amapá (44.770), Roraima (45.137), Mato Grosso do Sul (53.491) e Tocantins (55.513).

Quadro preparado pela Agência Brasil. Veja ali os números do Paraná e a posição no País.

Índia passou à frente

No rankintg dos países, segundo o painel on line da universidade americana Johns Hopkins, o Brasil passou para o terceiro lugar em número de casos. Como já era esperado, foi ultrapassado pela Índia, que soma 4.204.613 casos.

Em mortes, no entanto, a Índia está bem abaixo do Brasil, com 71.642 óbitos.

No painel da Johns Hopkins, Índia à frente do Brasil. E o Brasil mais perto dos Estados Unidos, em casos e mortes.

Brasil mais perto dos Estados Unidos

Já o Brasil começou a se aproximar cada vez mais dos Estados Unidos, primeiro em mortes e casos confirmados no ranking mundial.

No dia 28 de julho, pra efeito de comparação aleatório, o Brasil acumulava 2.442.375 casos confirmados desde o início da pandemia, pouco mais da metade (52%) dos 4.294.770 casos até então nos Estados Unidos.

Neste domingo, 6, a proporção diminuiu. Os 4.138.521 casos acumulados no Brasil representam 65,9% dos 6.277.947 casos dos Estados Unidos.

Em mortes, aconteceu a mesma coisa. Em 28 de julho, o Brasil somava 87.618 mortes, que representavam 59,1% dos 148.056 óbitos registrados nos Estados Unidos.

Neste domingo, 6, o Brasil fechou com 126.650 mortes, ou 67% dos 188.942 óbitos acumulados nos Estados Unidos.

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