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A grave realidade do trabalho infantil em Foz do Iguaçu e no mundo

Pela primeira vez em 20 anos, aumentou o trabalho infantil no mundo, passando a atingir 160 milhões de crianças e adolescentes. E isso não é tudo. Mais 8,9 milhões de pessoas nessa faixa de idade correm o risco de ingressar no trabalho infantil até 2022, como resultado da pandemia.

Esses dados são de um relatório que acaba de ser divulgado pela Organização Internacional do Trabalho, a OIT, em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef.

O estudo não traz um recorte com dados do Brasil. Mas no país, antes da pandemia, já havia mais de 1,8 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil.

Trazemos esses dados porque hoje, 12 de junho, é o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil.

A situação é grave. O retrocesso é enorme, já que a diminuição do trabalho infantil havia sido de 94 milhões de pessoas, entre os anos 2000 e 2016, segundo os organismos internacionais.

Outro dado relevante: o diagnóstico da OIT e do Unicef mostra aumento drástico no número de crianças de 5 a 11 anos em situação de trabalho infantil, faixa que agora responde por mais da metade do número total.

Os últimos dados disponíveis sobre a realidade brasileira são de 2019. Do total de 1,8 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que estavam em situação de trabalho infantil, 700 mil vivenciavam as piores formas dessa exploração.

No nosso país, 66,1% das crianças e adolescentes submetidos ao trabalho infantil eram pretos ou pardos.
Esses números não incluem adolescentes que trabalhavam legalmente no país, por meio de contrato de aprendizagem.

Na nossa realidade próxima, em Foz do Iguaçu, na região de fronteira, por exemplo, o combate ao trabalho infantil exige políticas públicas ainda mais eficientes.

Temos de enfrentar problemas como o aliciamento de menores para o tráfico, o contrabando e a exploração sexual, esta considerada pela Organização Mundial do Trabalho como uma das piores formas de trabalho infantil.

Operações pontuais nas ruas de Foz do Iguaçu, que duram enquanto câmeras de televisão estão ligadas, certamente não resolvem o problema.

Por trás dos números dos órgãos internacionais estão crianças e adolescentes de verdade, seres humanos expostos muitas vezes ao trabalho degradante, despojados de sonhos, retirados da escola, sem presente e com o futuro comprometido.

O Dia Mundial contra o Trabalho Infantil é uma data de reflexão e de denúncia contra as condições de vida enfrentadas por crianças e adolescentes que devido à pobreza, ao abandono ou à exploração são retirados da infância para trabalhar.

Mas essa data também tem de servir para um chamado à ação, dos governos, da sociedade e de cada um de nós.
Sobretudo, a cobrança é aos governos, pois os estudos mostram que uma nova geração de crianças e adolescentes está sendo colocada em risco.

H2FOZ – Editorial

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