Contas não faltam ao agente político quando o intuito é persuadir o eleitor sobre a própria viabilidade eleitoral. No contexto de Foz do Iguaçu, elas são muitas, algumas tão exageradas quanto o número de candidaturas que vão às urnas nas Eleições 2026, em busca de uma vaga para deputado estadual ou federal.
Devaneios à parte, os números são frios e seguem unicamente as leis da matemática. Assim, duas dezenas de concorrentes eleitoralmente domiciliados no município são grandes responsáveis pela diluição do eleitorado, em que cada qual pega a sua fração do escrutínio, uns mais, outros menos, mas dificultando as chances de eleição a todos.
Adicionalmente, o eleitorado iguaçuense tem abandonado o chamado candidato da cidade nos últimos pleitos, em favor de nomes de outras localidades e regiões. Os motivos são muitos e vão desde as escolhas por afinidade ideológica às opções por causas e bandeiras, incluindo a ausência de identificação e/ou identidade com os locais.
Quando o que está em jogo é o preço do feijão e do arroz, o modelo de educação, se vai haver aposentadoria ou aumento do salário e como serão os serviços de saúde e segurança, sobram poucos argumentos para o candidato que tem como único trunfo um comprovante de residência da mesma cidade do eleitor. As exigências são maiores.
O eleitor, muitas vezes subestimado, sabe ponderar. Nota, por exemplo, a contradição do candidato da cidade que só aparece a cada quatro anos. Percebe o postulante a defensor de Foz do Iguaçu que escancara as portas para nomes que são de regiões distantes. Vê os movimentos de quem está mais movido pela fatia do “fundão”, o dinheiro público que arca com as campanhas eleitorais.
Se na jornada em busca do voto a realidade pode ser apresentada de forma turva ou falseada, a abertura das urnas não dá margem para tergiversações. É a hora da verdade para os candidatos a deputado estadual e federal de Foz do Iguaçu. O recado mais alto vem não apenas do eleitor, mas deste sujeito social que tem uma dimensão ainda maior: o cidadão.

