“Faltam pouco mais de dois meses para o fim de 2026, e a administração municipal já projeta um 2027 com investimentos para impulsionar o crescimento da cidade.” O comunicado oficial da Prefeitura de Foz do Iguaçu sugere que o ano já chegou ao fim para a gestão de Joaquim Silva e Luna (PL).
O convite, indica o texto, é para esperar o ano vindouro. Muda a folha do calendário, mantém-se a retórica: as realizações chegarão futuramente. E sempre pelo caminho que leva à porta do Governo do Estado, com Ratinho Jr. (PSD) até agora e, daqui para a frente, com Sergio Moro (PL).
O problema não está na parceria com o estado nem em planejar investimentos para o próximo ano, mas em transformar o futuro em resposta recorrente para demandas que já deveriam apresentar resultados. A promessa de novos aportes se soma a anúncios anteriores, enquanto serviços e obras essenciais continuam aguardando.
Foi assim com o anúncio retumbante, pela gestão municipal, do prometido pacote de investimentos de R$ 500 milhões, em maio de 2025, para mobilidade urbana, infraestrutura, habitação, saúde e segurança. “Essa parceria faz toda a diferença para que Foz do Iguaçu avance com consistência e resultados”, dissera Silva e Luna, naquele momento, ao cortejar Ratinho Jr.
Agora, junto ao governador eleito, Sergio Moro, e deixando para trás a metade de seu mandato, o prefeito de Foz do Iguaçu pede confiança em 2027. Na agenda recente com o futuro mandatário do Paraná, quatro pautas, com a buraqueira das ruas como prioridade, incluindo pedido de recursos para recapeamento e de uma máquina de serviço.
Enquanto o ano novo não chega, o morador iguaçuense precisa conviver com o que é real. Na saúde, a constante falta de leitos no Hospital Municipal impõe a dor causada pelas filas e compromete toda a organização do sistema de atendimento, com pacientes retidos por mais tempo nas unidades de acesso. A federalização dessa casa hospitalar ficou mais distante. As filas para exames, consultas e procedimentos especializados permanecem.
Apesar da troca de secretários e da cobrança da população e do Ministério Público, os buracos no asfalto continuam gerando incômodo e prejuízos. No transporte coletivo, a população também paga a conta da solução estrutural que não sai. São R$ 44 milhões de recursos públicos destinados à manutenção do serviço neste ano, enquanto a licitação que promete um modelo diferente, melhor e mais econômico continua sem data. Mobilidade urbana é palavra repetida, porém em desencontro com soluções efetivas.
O problema é que a vida da cidade não acompanha o calendário das promessas. No Palácio das Cataratas, onde Silva e Luna despacha, tudo vai sendo empurrado para 2027.

