“As autoridades públicas têm a responsabilidade de explicar decisões” tomadas no exercício das funções. Com essa frase, o prefeito Joaquim Silva e Luna (PL) inicia o vídeo em que busca justificar sua assinatura no decreto que determina o aumento de 20% no custo da passagem de ônibus, passando de R$ 5 para R$ 6, a partir de dezembro, sem melhorar a qualidade do serviço.
A decisão, à qual o prefeito busca dar ares de esclarecimento em exposição gravada e veiculada em sua própria rede social, é efeito da ausência de medidas que combatam a causa do problema ou, no mínimo, incorre em ineficiência. Já eleito, antes de assumir, Silva e Luna prometeu dar solução às demandas do transporte coletivo sem prorrogar o contrato emergencial que vigorava, deixado pelo antecessor, Chico Brasileiro (PSDB).
Abdicou, porém, no período de transição de governo, de debruçar-se sobre a busca de alternativas para fazer ajustes e implementar instrumentos para tornar mais eficiente o sistema de transporte público iguaçuense. Optou por entregar-se ao tempo para, em maio de 2025, alegando falta de tempo, dar um canetaço e prorrogar, não por um, mas por dois anos, a avença que recebeu como herança.
Com a concessionária do serviço ancorada a um contrato de R$ 165,4 milhões, dinheiro do erário, a promessa que se seguiu foi a de não haver aumento na passagem antes de nova modelagem, outro empenho que acaba de ser desfeito. Além disso, ainda não foi lançada a concorrência pública, prevista para setembro e anunciada como meta para aperfeiçoar o sistema.
Silva e Luna, no vídeo, reclama do valor transferido dos cofres públicos ao setor. Não explica, todavia, que recorreu recentemente aos vereadores aliados para injetar mais dinheiro além dos R$ 32,4 milhões que já estavam estabelecidos no orçamento elaborado por sua própria gestão. O aporte adicional foi de R$ 12,2 milhões. Assim, o montante total de subsídios será de R$ 44,6 milhões até dezembro.
A quantia de quase R$ 45 milhões, que todo iguaçuense está pagando, use ou não o transporte coletivo, e o custo de R$ 6 empurrado ao morador são a fatura que a coletividade paga pela ausência de soluções estruturais de mobilidade urbana, que vão além do ônibus, mas que entreguem transporte de qualidade ao usuário, atraindo novos passageiros. Decisões, de fato, devem ser explicadas por agentes públicos. Mais ainda, devem ser avaliadas e julgadas por quem arca com os efeitos de tais medidas.

