Bosque dos Macacos expõe carência e descaso com o meio ambiente em Foz

As cenas de macaquinhos desesperados sem parte da floresta, flagradas por moradores, ganham as redes. - Imagem: reprodução vídeo José Luiz Pereira

A população testemunha indignada imagens de macacos desnorteados perambulando pelo chão onde antes era mata nativa, uma enorme clareira aberta na floresta urbana e árvores secas que foram derrubadas na área contígua ao Bosque dos Macacos, em Foz do Iguaçu. Na moradia dos pequenos primatas e de outros bichos, pretende-se erguer um condomínio.

O proprietário da área diz ter quitado impostos por anos e que obteve todas as autorizações, da prefeitura e do órgão ambiental estadual. A repercussão do caso levou ao local técnicos do Instituto Água e Terra, do Paraná, que determinaram a suspensão temporária das atividades por constatarem a derrubada da vegetação na parte pública da área; a prefeitura faz silêncio.

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As cenas de macaquinhos desesperados sem parte da floresta, flagradas por moradores, ganham as redes. Imagens aéreas exclusivas de Marcos Labanca, repórter fotográfico do H2FOZ, mostram o tamanho da devastação. Em dois textos para o portal, a jornalista Aida Franco de Lima apresenta a dimensão do prejuízo ambiental. Escreve ela:

“Não interessa se um trecho da floresta é particular. Os animais, a flora, os rios, os elementos naturais desconhecem essas linhas inventadas pelos homens. Eles pertencem ao local tanto quanto o local a eles”.

Em seus artigos, cita pontos fundamentais. Primeiro, há pedido de proteção para o bosque desde 2019, com base na lei municipal do patrimônio, o que proíbe intervenções inclusive no entorno. A jornalista questiona se houve manejo para proteger os macacos ante ao avanço das retroescavadeiras. E lembra o papel prefeitura, a qual poderia ter proposto troca do terreno ou sua aquisição para fins de preservação.

Nada foi feito. A devastação na área lindeira ao Bosque dos Macacos expõe a carência de políticas ambientais em Foz do Iguaçu. A derrubada de árvores na cidade avança porque foi institucionalizada a supressão dos vegetais sob a exigência de replantio, que sequer sabe-se se irá prosperar e em quanto tempo.

Árvores disputam o espaço com a fiação elétrica, levando a pior sempre, por conta de podas que muitas vezes são uma sentença de morte imposta às espécies. Galhos e plantas inteiras são arrancados a cada chuva forte com vento. O meio ambiente se ressente da ausência de um plano efetivo de arborização urbana.

A situação do Bosque dos Macacos lança um grito, um pedido de ajuda e de alerta. Um morador da vizinhança da área, em tom de emoção e indignação, reverberou que alguém precisa fazer alguma coisa pela mata e seus moradores. Repetimos: alguém tem de fazer algo pela natureza!

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